Este é o Mitsubishi que recoloca a marca na conversa dos carros 100% elétricos - e chega em ótima hora.
Manter a própria identidade é importante. A não ser que exista a chance de se apoiar no “Cristiano Ronaldo” de alguém. Foi mais ou menos isso que a Mitsubishi fez ao recorrer à Renault dentro da Aliança.
A francesa vive uma fase especialmente forte em tecnologia, e a Mitsubishi decidiu - com acerto - aproveitar essa base para acelerar (e muito) seu retorno ao jogo na Europa, enquanto os projetos totalmente desenvolvidos pela própria marca japonesa não desembarcam.
É daí que nasce este Mitsubishi Eclipse Cross EV: um daqueles “casamentos improváveis” que, no fim, costuma dar certo. Você já viu esse tipo de casal: ninguém apostava, mas funciona.
Não dê ouvidos às críticas
Vamos ao ponto: o Eclipse Cross EV segue de perto o Renault Scenic E-Tech. Isso é um fato - e pode ser lido como elogio. O modelo francês está entre os elétricos mais bem resolvidos do segmento, e o Mitsubishi pega essa receita e entrega um pacote muito competente.
Há quem torça o nariz para esse tipo de mistura, como se a Renault estivesse “abaixo” - quando, na prática, é uma marca com força industrial, relevância global e um histórico enorme (inclusive fora do universo automotivo).
E sim: a Mitsubishi é um nome gigante no Japão e carrega um peso industrial enorme. Ainda assim, aqui estamos falando de duas marcas tradicionais que podem encarar esse acordo como uma parceria de igual para igual. Dito isso, o foco é o protagonista: o Eclipse Cross EV.
E se a sua saudade for dos Mitsubishis “raiz”, a boa notícia é que o emblema pode até ser japonês, mas a experiência está longe de parecer improvisada.
Mitsubishi Eclipse Cross EV (2026): identidade própria, tudo no lugar
Por fora, a Mitsubishi trabalhou para dar cara própria ao Eclipse Cross 2026. Há detalhes específicos suficientes para que a ligação com o “irmão” francês não seja imediata - e isso é um ponto positivo.
Por dentro, a história muda: tirando o volante, praticamente tudo segue a mesma cartilha. O resultado também é o mesmo em aspectos importantes: bom espaço, montagem caprichada, bastante equipamento e um nível tecnológico alto.
A percepção de qualidade é boa, embora existam plásticos mais rígidos em áreas como a parte superior dos painéis de porta e do painel (tablier). Em compensação, revestimentos em tecido nos pilares dianteiros e em outros pontos, além do acabamento nas bolsas das portas, ajudam a equilibrar o conjunto. No fim, o ambiente é agradável de verdade.
No infotainment, aparece o sistema feito em parceria com a Google. Ele responde rápido, é intuitivo e tem uma vantagem prática enorme: usar apps que já fazem parte do dia a dia reduz bastante a barreira para quem não é fã de tecnologia, mas gosta do que ela entrega.
Outro acerto é a longevidade: com atualizações OTA (over-the-air), o sistema tende a permanecer atual por mais tempo, recebendo melhorias e correções sem dor de cabeça.
E tem mais: além dos apps do ecossistema Google, há recursos que mostram com clareza onde a energia está indo e como melhorar o consumo. Se você ligar, por exemplo, o aquecimento do volante, o carro identifica esse gasto, considera o impacto e recalcula a autonomia prevista com base nisso.
Espaço e praticidade (incluindo o porta-malas)
Em espaço, o Eclipse Cross EV vai muito bem. Na frente e atrás sobra área, e no banco traseiro dá para viajar com três adultos sem sofrimento.
O porta-malas tem 545 litros, e pode chegar a 1.670 litros com o banco traseiro rebatido.
Na dianteira, sob o capô, não há frunk (porta-objetos frontal), como aparece em alguns elétricos. Para compensar, existe um compartimento lateral no porta-malas para organizar cabos de recarga e um espaço bem profundo sob o assoalho, que ajuda no uso diário.
Um ponto extra (pensando no Brasil): recarga e rotina
Para quem olha esse tipo de SUV elétrico com mentalidade de uso no Brasil, vale considerar a rotina de recarga como parte do “pacote”. Um modelo com boa autonomia e consumo comedido tende a fazer mais diferença do que números impressionantes de desempenho - principalmente para quem roda em cidades grandes e também pega estrada.
Também é útil planejar o uso com base em onde você consegue recarregar (casa, trabalho, shopping, redes de recarga pública) e no seu perfil de deslocamento. No dia a dia, isso costuma pesar mais do que qualquer ficha técnica.
Ao volante: confortável, rápido e bem acertado
Dirigindo, o Mitsubishi Eclipse Cross EV agrada logo pela posição ao volante. Ele não quer ser um devorador de curvas, mas cumpre muito bem o papel de SUV elétrico: é rápido quando você precisa e confortável quando o plano é rodar com calma - sozinho ou com a família.
E mesmo com essa “mistura de nacionalidades” (logotipo japonês e engenharia francesa), o acerto de suspensão ainda adiciona um terceiro ingrediente: funciona bem em piso bom e também no asfalto mais castigado, com uma calibração firme sem virar sinônimo de desconforto.
Elétrico de “voltagem simples”, mas com desempenho de sobra
No Eclipse Cross EV, há um único motor elétrico na dianteira, tracionando as rodas frontais. A potência máxima é de 162 kW (220 cv). A Mitsubishi declara:
- Velocidade máxima: 170 km/h
- 0 a 100 km/h: 7,9 s
Na prática, ele parece rápido - e é mesmo.
A bateria tem 87 kWh de capacidade útil e, segundo a Mitsubishi, permite até 625 km de autonomia em uso combinado. Durante o teste, ficou claro que os consumos podem ser bem controlados.
Com condução moderada, é possível ver médias perto de 16,3 kWh/100 km (a marca declara 16,8 kWh/100 km no ciclo combinado).
Em rodovia, o consumo tende a subir cerca de 1,5 kWh/100 km, já que há poucos momentos de regeneração. Ainda assim, os modos de condução ajudam a administrar esse ponto:
- Eco: limita bastante - a velocidade máxima nem chega a 120 km/h e não aceita acelerações bruscas
- Comfort: compromisso mais equilibrado
- Sport: resposta do acelerador mais imediata
Na maior parte do tempo, a melhor combinação foi Comfort com One Pedal Drive ativado, usando quase sempre apenas o pedal do acelerador. Nesse modo, a regeneração é a mais forte, mas existem mais três níveis além dele, além do modo de roda livre (sem regeneração).
Eclipse Cross EV sem “contas de cabeça” na compra
A Mitsubishi tentou deixar a compra simples. Em vez de uma lista longa de versões e pacotes, a linha do Mitsubishi Eclipse Cross EV tem só uma versão: Intense.
O equipamento segue a mesma filosofia: praticamente tudo o que aparece no carro das imagens já vem em todos os Eclipse Cross EV. Há uma lista ampla de sistemas ADAS (assistências ao motorista) e itens mais sofisticados - como volante em couro com aquecimento, por exemplo.
Na parte tech, o pacote inclui:
- serviços da Google (com navegação)
- Android Auto e Apple CarPlay
- carregador de celular por indução
- várias portas USB-C
Nos opcionais, a escolha fica quase toda na cor da carroceria, com a possibilidade de combinar (ou não) com teto preto. No configurador online, ainda aparecem bancos em couro como sugestão - mas, honestamente, não parecem essenciais. O tecido dos bancos conversa bem com o acabamento interno e combina com a proposta do SUV.
E o preço? O Mitsubishi Eclipse Cross 100% elétrico sai por 44.500 euros, segundo a marca em formato “chave na mão”, sem asteriscos ou surpresas. Para os 50 primeiros clientes, o valor cai para 43.000 euros. A marca também cita o preço para empresas: 34.960 € + IVA.
Para o público brasileiro, esses números em euros servem como referência (a conversão para reais varia bastante conforme o câmbio e impostos).
Veredito
O Mitsubishi Eclipse Cross EV é um retorno bem amarrado da marca ao universo dos 100% elétricos: bom espaço, pacote tecnológico forte (com Google e OTA funcionando a favor), consumo comedido e desempenho que não decepciona.
A “base Renault” não diminui o produto - pelo contrário, dá ao Mitsubishi uma plataforma atual e competitiva para brigar no segmento certo, do jeito certo, enquanto a marca prepara seus próximos passos com projetos próprios.
Especificações técnicas
| Item | Dados |
|---|---|
| Motorização | 1 motor elétrico dianteiro |
| Tração | Dianteira |
| Potência máxima | 162 kW (220 cv) |
| 0–100 km/h | 7,9 s |
| Velocidade máxima | 170 km/h |
| Bateria (capacidade útil) | 87 kWh |
| Autonomia máxima (combinado, marca) | 625 km |
| Consumo observado em uso moderado | ~16,3 kWh/100 km |
| Consumo combinado declarado (marca) | 16,8 kWh/100 km |
| Porta-malas | 545 L |
| Porta-malas com banco rebatido | 1.670 L |
| Versão | Intense |
| Preço (Europa) | 44.500 € (43.000 € para os 50 primeiros) |
| Preço para empresas (Europa) | 34.960 € + IVA |
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