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Lufthansa mantém interesse na privatização da TAP.

Dois profissionais de negócios apertando as mãos em um aeroporto com avião ao fundo.

Carsten Spohr, CEO do grupo alemão, afirmou que a TAP representa um “encaixe perfeito”, sublinhando que Brasil e América Latina são peças centrais na estratégia de crescimento da companhia.

Durante a conferência de imprensa de apresentação dos resultados de 2025, ele disse que a incorporação da TAP teria potencial para reforçar de forma expressiva a presença do grupo nesses mercados.

TAP, Lufthansa e a ambição de transformar Lisboa em hub aéreo

O grupo alemão também deixou claro que quer fortalecer o papel de Lisboa como hub aéreo, num cenário de disputa crescente tanto dentro da Europa como nas rotas para o Atlântico Sul. Spohr comentou que basta observar o mapa europeu e a localização dos hubs atuais da Lufthansa para perceber a posição singular de Portugal.

Ele explicou ainda que, no processo de privatização da TAP, os principais concorrentes - Air France-KLM e IAG (controladora da Iberia e da British Airways) - já operam redes consolidadas e mantêm hubs importantes em mercados geograficamente próximos de Portugal.

Na avaliação do CEO, esse fator pesa no equilíbrio competitivo: os rivais já exploram hubs relevantes voltados ao Atlântico Sul, com estruturas em Madrid e Paris, ambas mais perto de Portugal do que os hubs atuais da Lufthansa. Por isso, argumentou, a disputa por desenvolver um hub em Lisboa tenderia a ser mais intensa se o controlo ficasse com esses grupos - e esse é mais um ponto que, segundo ele, favorece o grupo Lufthansa.

Ainda assim, Spohr fez questão de frisar que o processo está numa fase inicial e que não prevê uma transformação marcante no desenho do setor na Europa. Para ele, embora a privatização esteja apenas começando, o “mapa” da aviação europeia não deve ser alterado de forma significativa por causa dessa operação.

Portugal como parceiro estratégico: Lufthansa Technik e formação de pilotos

Além do tema Lisboa-hub, Spohr destacou a relevância estratégica de Portugal para a aviação, apontando investimentos já em andamento no país. Ele afirmou que Portugal pode tornar-se um parceiro estratégico muito importante, inclusive porque a empresa está a construir uma unidade da Lufthansa Technik em território português.

A Lufthansa Technik está a erguer uma unidade industrial no parque empresarial Lusopark, em Santa Maria da Feira (distrito de Aveiro), voltada à reparação e manutenção de componentes aeronáuticos. O projeto envolve um investimento estimado em centenas de milhões de euros e a expectativa é criar mais de 700 empregos qualificados até 2027.

O grupo também está a analisar a hipótese de instalar em Portugal uma escola de formação de pilotos em parceria com a Força Aérea. Spohr acrescentou que a Lufthansa está a avaliar, em conjunto com a Força Aérea, se essa escola poderia ficar localizada no país.

Uma integração que priorize a conectividade entre Portugal e o Brasil tende a ter impacto direto na oferta de voos, em especial nas ligações transatlânticas e nas conexões para destinos secundários. Em operações desse tipo, a discussão sobre slots, capacidade aeroportuária e eficiência de conexões costuma ganhar peso, principalmente quando o objetivo declarado é consolidar um hub com tráfego de alimentação (feeder) e longa distância.

Também é comum que operações de consolidação no setor tragam debates sobre concorrência, acesso de outras companhias a rotas e infraestrutura, e compromissos de serviço. Em processos de privatização, esses elementos frequentemente aparecem como contrapartidas para preservar a competitividade do mercado e a conectividade do país, além de assegurar a continuidade do estatuto operacional exigido pela legislação europeia.

Privatização da TAP: cronograma, condições e participação acionária

Questionado sobre conversas com o Governo Português e sobre a possibilidade de aval da Comissão Europeia, o CEO avaliou que ainda não é momento de tirar conclusões.

Ele disse que é cedo para afirmar qualquer desfecho, embora o grupo esteja a dialogar com o Governo, porque a transação só avançará se gerar valor para as partes interessadas. Spohr acrescentou que a concretização do negócio dependerá também de condições financeiras, pois tudo está ligado aos custos e aos preços que precisariam ser pagos.

As propostas não vinculativas para a privatização da TAP devem ser entregues à Parpública até 2 de abril e precisam conter um componente financeiro, incluindo o preço oferecido pelas ações e mecanismos futuros de valorização, como earn-outs.

Os interessados também terão de apresentar planos industriais e estratégicos, sinergias previstas e garantias para manter a TAP com o estatuto de operadora aérea da União Europeia.

As regras do processo preveem a venda de até 44,9% do capital da TAP, com 5% reservados aos trabalhadores. Caso essas ações não sejam subscritas, elas ficam sujeitas ao direito de preferência do futuro comprador.

Desempenho financeiro da Lufthansa em 2025

Em 2025, a Lufthansa registou lucro de € 1,3 mil milhão, uma queda de 3% em relação ao ano anterior, com receitas de € 39,6 mil milhões.

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