O início de ano tem sido particularmente favorável para a Alstom, que emplacou uma sequência de contratos de grande porte no Canadá e na Alemanha, reforçando sua presença em mercados estratégicos do setor ferroviário.
Contrato no Canadá reforça a presença industrial da Alstom
No Canadá, a Alstom fechou um acordo em Toronto para fornecer 70 composições do metrô local, cada uma formada por seis carros. O contrato soma 2,3 bilhões de dólares canadenses (cerca de 1,4 bilhão de euros), segundo a Capital.
Como parte especialmente relevante do pacote, o negócio prevê ainda uma opção de compra para mais 150 composições, o que pode ampliar consideravelmente o volume futuro do fornecimento. A empresa mantém no Canadá uma estrutura robusta: são cinco grandes unidades industriais e aproximadamente 5.000 colaboradores no país, dentro de um quadro global de 86.000 funcionários.
A fabricante também enfatiza sua atuação de perfil mais “regional”, ao planejar a contratação de fornecedores locais e a utilização de aço e alumínio canadenses. Na avaliação da companhia, esse movimento estratégico tende a atualizar as capacidades industriais nacionais e a aumentar a resiliência do Canadá diante de turbulências comerciais atuais e futuras.
Além do impacto direto na frota, contratos desse tipo costumam gerar efeitos em cadeia: fortalecem a base de suprimentos, estimulam a qualificação de mão de obra e aceleram a adoção de padrões industriais mais modernos - fatores que, no fim, se refletem em maior confiabilidade do transporte urbano e em ciclos de renovação tecnológica mais rápidos.
Boa notícia para a Alstom na Alemanha: mais Coradia Max e manutenção de longo prazo
Na Alemanha, a Alstom também garantiu uma expansão importante: a empresa fornecerá mais 26 trens regionais Coradia Max para o estado federado de Baden-Württemberg. Trata-se do exercício de uma opção vinculada a um acordo anterior, firmado em maio de 2022, que previa a entrega de 130 trens do mesmo modelo por 2,5 bilhões de euros.
O valor do contrato adicional agora anunciado é de 500 milhões de euros, e a Alstom ficará responsável pela manutenção até 2055, conforme informou a BFM.
Tim Dawidowsky, presidente da região Europa Central e do Norte na Alstom, destacou o fortalecimento da parceria e os ganhos esperados para os passageiros:
Temos orgulho de acrescentar um novo capítulo à nossa cooperação com o estado de Baden-Württemberg. A ampliação da frota Coradia Max oferecerá aos passageiros ainda mais capacidade, conforto e velocidade no transporte regional. Como parceira para manutenção e conservação de longo prazo, contribuiremos de forma decisiva para a operação confiável desses trens nas próximas décadas.
A mesma linha foi seguida por Winfried Hermann, ministro dos Transportes de Baden-Württemberg, ao celebrar o investimento:
“No total, estamos investindo cerca de 3 bilhões de euros em 156 trens Coradia Max ultramodernos e confortáveis. Com isso, assumimos uma posição de vanguarda na Alemanha, com muitos novos trens de alto desempenho.”
A inclusão de manutenção por períodos tão longos é um ponto central em contratos ferroviários atuais: além da entrega do material rodante, ganha peso a garantia de disponibilidade, planejamento de peças e revisões, e a integração de sistemas de monitoramento - elementos que ajudam a reduzir interrupções e a controlar custos ao longo da vida útil.
Um contraste recente: a disputa perdida na Bélgica
Esses avanços contrastam com a decisão tomada na Bélgica no ano passado, quando a Companhia Nacional de Caminhos de Ferro da Bélgica (SNCB) optou pela espanhola CAF (Construcciones y Auxiliar de Ferrocarriles) em vez da Alstom. A escolha foi detalhada em uma análise anterior sobre os bastidores da concorrência.
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