A Nvidia divulgou um trimestre excepcional: foram US$ 57 bilhões em receita em apenas três meses, um avanço de 62% na comparação anual. Para o CEO Jensen Huang, a empresa já “entrou no ciclo virtuoso da IA”.
Hoje, a Nvidia ocupa a posição mais estratégica na corrida da inteligência artificial (IA) por ser a principal fornecedora de chips usados no treinamento e na implantação de modelos como os que sustentam o ChatGPT. Por isso, os números do terceiro trimestre eram aguardados com enorme atenção: um desempenho fraco poderia alimentar o discurso de “bolha” e pressionar os mercados. O que veio a público, porém, foi o oposto - resultados acima do esperado e projeções igualmente fortes.
Resultados trimestrais da Nvidia e da IA: receita e lucro acima do esperado
No período, a companhia registrou US$ 57 bilhões de receita, representando alta de 62% na comparação anual. O lucro líquido alcançou US$ 32 bilhões, um crescimento de 65% em relação ao mesmo intervalo de 2024.
Tanto em receita quanto em lucro líquido, a Nvidia superou as expectativas de Wall Street. Além disso, a empresa afirmou que espera US$ 65 bilhões de receita no último trimestre do ano.
Produtos de IA seguem com demanda elevada, puxados por centros de dados
Em termos práticos, a procura por produtos voltados à IA continua intensa, especialmente no segmento de centros de dados. A área responsável por comercializar soluções para esse mercado gerou US$ 51,2 bilhões, com alta de 66% na comparação anual e crescimento de 25% frente ao trimestre anterior.
Segundo Jensen Huang, a tração comercial segue surpreendendo: “As vendas de Blackwell superam todas as previsões e os GPU de nuvem estão esgotados”. Ele acrescentou que a demanda por capacidade de computação continua acelerando tanto no treinamento quanto na inferência, com expansão exponencial em ambos os casos.
Ainda de acordo com o executivo, o movimento vai além de um único produto ou de um único grupo de clientes: “Entramos no ciclo virtuoso da IA. O ecossistema de IA está se expandindo rapidamente, com mais novos criadores de modelos base, mais start-ups especializadas em IA, em mais setores e em mais países. A IA está em todo lugar; ela faz tudo, tudo ao mesmo tempo.”
Um ponto relevante desse cenário é o impacto direto na cadeia de fornecimento. Com GPU de nuvem em falta e a plataforma Blackwell vendendo acima do previsto, a capacidade de entrega passa a ser tão importante quanto o avanço tecnológico - e pode influenciar prazos de expansão de infraestrutura de IA em empresas, provedores de cloud e integradores.
Também vale observar que a corrida por IA não se limita ao software: a expansão acelerada de centros de dados pressiona investimentos em energia, refrigeração e redes de alta velocidade. À medida que o treinamento e a inferência crescem, eficiência energética e optimização de infraestrutura tendem a ganhar ainda mais peso nas decisões de compra, inclusive em mercados como o Brasil, onde custo de energia e disponibilidade de capacidade podem ser fatores determinantes.
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