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Força Aérea dos Estados Unidos recebe os primeiros F-35A na Base Aérea de Misawa e inicia a substituição dos F-16CM Doninha Selvagem no Japão

Quatro militares caminham ao lado de caça F-35 estacionado em pista com duas outras aeronaves ao fundo.

A Força Aérea dos Estados Unidos anunciou, por meio de uma publicação nas suas redes sociais, a chegada dos seus primeiros caças F-35A à Base Aérea de Misawa, no Japão. Com essa entrega inicial, a instituição passa a ter condições de começar a retirada gradual dos F-16CM Doninha Selvagem atualmente desdobrados no país.

Segundo a própria Força Aérea, as aeronaves pertencem ao 13º Esquadrão de Caça, que passará a operar a partir do norte do arquipélago. A expectativa é de que o novo vetor represente um salto relevante de capacidades para a defesa do Japão e para o suporte às operações dos Estados Unidos na região.

F-35A Relâmpago II do 13º Esquadrão de Caça chegam a Misawa

Ao tratar da novidade, a Força Aérea dos Estados Unidos declarou:

“As aeronaves F-35A Relâmpago II atribuídas ao 13º Esquadrão de Caça chegaram oficialmente à Base Aérea de Misawa, marcando um marco significativo na transição da ala para a aviação de quinta geração. As novas aeronaves vão fortalecer a capacidade da Força Aérea dos Estados Unidos de manter poder aéreo pronto para combate no norte do Japão, integrar-se com aliados e parceiros e apoiar a estabilidade regional em todo o Indo-Pacífico.”

Modernização em Misawa: de 36 F-16CM para 48 F-35A

Vale lembrar que, há anos, a instituição vem sinalizando a intenção de substituir os F-16CM Doninha Selvagem baseados em território japonês, em linha com um conjunto mais amplo de planos de modernização já em execução.

Nesse sentido, conforme noticiado em julho de 2024, os planos de Washington miravam a presença de 48 aeronaves F-35A na Base Aérea de Misawa, ampliando o quantitativo original de 36 F-16CM que anteriormente estavam sediados no local.

SEAD: por que o F-35A reforça a supressão de defesas aéreas inimigas

Considerando que o papel do F-16CM estava fortemente associado a missões de supressão de defesas aéreas inimigas (SEAD), a introdução do F-35A é um passo coerente não apenas por modernização, mas também pelas características que favorecem esse tipo de emprego.

Em particular, a baixa observabilidade (furtividade) de uma aeronave de quinta geração amplia a utilidade do caça para localizar e atacar sistemas de defesa antiaérea e seus radares associados. Esse potencial tende a ser ainda maior com a integração de armamentos como o AGM-88G Míssil Guiado Antirradição Avançado – Alcance Estendido (AARGM-ER) e os mísseis SiAW.

Além do ganho técnico, a transição para uma frota baseada em F-35A também costuma exigir ajustes de doutrina, treinamento e suporte, já que a aeronave depende intensamente de sensores, fusão de dados e redes de compartilhamento de informações. Na prática, isso pode modificar a forma como missões SEAD são planejadas e coordenadas, combinando discrição, consciência situacional e ataque de precisão.

Interoperabilidade com o Japão e exercício Kazaguruma Guardian em Misawa

A chegada dos F-35A dos Estados Unidos ao Japão também tende a ampliar a interoperabilidade entre as respectivas forças aéreas, considerando que Tóquio opera a sua própria frota de aeronaves furtivas fabricadas pela Lockheed Martin.

Como exemplo ilustrativo, em 25 de março a Força Aérea de Autodefesa do Japão informou que caças F-35 dos Estados Unidos, do Japão e dos Países Baixos participaram de um exercício conjunto chamado Kazaguruma Guardian, no espaço aéreo ao redor da Base Aérea de Misawa. A atividade também envolveu caças F-16, aeronaves de alerta antecipado E-2D e reabastecedores Airbus A330 MRTT.

Em termos estratégicos, a concentração de meios de quinta geração em Misawa tende a reforçar a capacidade de atuação combinada e a prontidão em um ambiente regional cada vez mais dependente de integração entre plataformas, logística e comunicações seguras. Isso pode se refletir tanto em treinos multinacionais mais frequentes quanto em um aumento da complexidade dos cenários simulados no Indo-Pacífico.

Créditos da imagem: Aviador de Primeira Classe Patrick Boyle

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