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Há centenas de elétricos chineses zero quilómetros abandonados neste stand

Carro elétrico branco com design moderno exposto em showroom, com janelas escuras e rodas estilizadas.

SN Diffusion e o impasse dos carros elétricos chineses em Lescure d’Albigeois, perto de Albi

A concessionária francesa ligada à SN Diffusion, em Lescure d’Albigeois (nos arredores de Albi), vinha se destacando na região como um dos principais pontos de venda de carros elétricos chineses. O posicionamento da empresa se apoiava na importação e distribuição de marcas como Leapmotor e Seres, o que, por um período, sustentou um projeto de expansão considerado ambicioso.

Milhões investidos e milhares de veículos importados - agora abandonados

Para viabilizar a operação, foram aplicados milhões de euros e trazidos milhares de automóveis novos. Hoje, porém, tanto as instalações quanto os carros estão em situação de abandono, sem uso e sem circulação.

O cenário chama atenção: os veículos permanecem zero quilômetro, muitos ainda com plásticos protetores nos bancos, aguardando o que seria a primeira matrícula.

Por que o projeto desmoronou: Leapmotor, Stellantis e tarifas sobre elétricos da China

A queda desse plano foi atribuída principalmente a uma mudança brusca na estratégia das marcas importadas ao longo dos últimos anos, somada à entrada em vigor de tarifas sobre os elétricos produzidos na China.

No caso específico da Leapmotor, o contexto ficou ainda mais decisivo depois que a Stellantis adquiriu uma participação na marca e passou a deter também os direitos exclusivos de distribuição internacional. Na prática, isso redesenhou o controle de canais e restringiu a atuação de importadores independentes, como a SN Diffusion.

Leapmotor, Seres e o estoque parado: T03, Seres 3 e DFSK EC35

O resultado é um grande estoque imobilizado. Em um espaço fechado, é possível ver dezenas de Leapmotor T03 alinhados. Do lado de fora, a quantidade é ainda maior: há centenas de carros expostos, incluindo vários Seres 3 (SUV chinês 100% elétrico) e numerosos DFSK EC35 (veículo comercial leve 100% elétrico, com a marca sendo subsidiária da Seres).

Além da dimensão financeira, a situação traz desafios práticos: carros parados por longos períodos exigem cuidados mínimos (como preservação de bateria, pneus e sistemas elétricos) para evitar perda de valor e problemas de conservação - o que torna o destino desse estoque ainda mais urgente.

Também fica evidente o risco de depender de estratégias globais de fabricantes e de mudanças regulatórias. Quando a distribuição é centralizada por grupos internacionais e as regras de importação mudam, operações locais podem perder viabilidade rapidamente, mesmo com demanda potencial no mercado.

Disputa judicial e expectativa por uma solução

O caso está agora na Justiça, aguardando definição. A SN Diffusion busca um desfecho favorável e, ao menos, uma saída que dê um destino mais prático para todos esses veículos - seja por regularização, redistribuição comercial ou outra alternativa que permita reduzir o prejuízo e evitar que os carros elétricos chineses continuem parados.

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