Embora pareça improvável à primeira vista, essa aproximação não é novidade: Renault e Volvo já operam juntas no segmento de veículos pesados desde 2001. Agora, as duas montadoras decidiram levar essa colaboração para um novo território - o de veículos comerciais elétricos -, em um movimento que funciona como uma “segunda fase” dessa relação entre a marca francesa e a sueca.
Gama de pequenos veículos elétricos de distribuição urbana: foco em operação e eficiência
A meta do projeto é criar uma gama de pequenos veículos elétricos de distribuição urbana, desenvolvida sobre um chassis modular em patim (arquitetura tipo “skateboard”), pensado para facilitar variações de carroceria e aplicações no transporte de curta distância.
Esses modelos vão adotar arquitetura elétrica de 800 V e devem sair de fábrica já preparados para sistemas de gestão de trajeto e frota, com potencial de gerar poupanças de até 30% nas operações de transporte - especialmente em rotas urbanas com muitas paradas, janelas de entrega apertadas e necessidade de previsibilidade.
Além disso, a combinação de alta tensão (800 V) com gestão integrada tende a favorecer recargas mais rápidas e melhor controle de disponibilidade da frota, algo decisivo para operações de “última milha” e distribuição local. Na prática, isso ajuda empresas a reduzir tempo ocioso, planejar escalas e adequar o uso do veículo ao perfil real de demanda.
Um terceiro parceiro: CMA CGM entra no projeto
A iniciativa não será restrita a duas empresas. Junto de Renault e Volvo, a CMA CGM - grupo francês de transporte marítimo - vai integrar o projeto. Para isso, a companhia assinou uma carta de intenções não vinculativa com Volvo e Renault, formalizando o interesse em participar da nova empresa.
A presença de um operador logístico global como a CMA CGM adiciona uma camada prática ao desenvolvimento: além do produto em si, entra em jogo a experiência com redes de logística, terminais e operações multimodais, o que pode acelerar a adequação desses veículos às necessidades reais de transporte e distribuição.
Investimentos: 120 milhões de euros da CMA CGM e 300 milhões de euros de Renault e Volvo
No plano financeiro, a CMA CGM vai investir 120 milhões de euros por meio do PULSE, o Fundo de Energia voltado a acelerar a descarbonização dos setores de transportes e logística. Do lado das montadoras, Renault e Volvo preveem um aporte conjunto de 300 milhões de euros.
Cronograma: operações em 2024 e produção em 2026 em Sandouville
O começo das operações está programado para 2024. Já a produção deve iniciar em 2026, na fábrica da Renault de Sandouville, a mesma unidade onde hoje são fabricados o Renault Trafic e o Nissan Primastar.
Por enquanto, o avanço do projeto depende da análise e da aprovação pelas entidades reguladoras da concorrência, etapa necessária antes que a operação seja oficialmente concluída e as atividades sejam plenamente implementadas.
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