O setor aéreo pode ser duramente afetado pelo triplo da Taxa de Solidariedade sobre Passagens Aéreas (TSBA)
Desde março, a França passou a cobrar três vezes mais a Taxa de Solidariedade sobre Passagens Aéreas (TSBA). Na prática, isso significa um custo adicional de € 4,77 por bilhete em voos domésticos ou dentro da Europa, enquanto em rotas de longa distância, na classe executiva, o acréscimo pode chegar a € 120 por passagem.
De acordo com a AFP, durante o seu congresso anual, a União dos Aeroportos Franceses avaliou que as decisões de companhias aéreas de reduzir capacidade na França estariam relacionadas a essa medida. O impacto seria ainda mais sensível em empresas low cost, que operam com margens mais apertadas e tendem a ajustar oferta com rapidez quando os custos sobem.
Redução de capacidade na França: impacto da TSBA nas companhias low cost
Como exemplo concreto, a Ryanair anunciou, em julho, um corte de 13% da sua capacidade no mercado francês - o equivalente a 750 mil assentos a menos. Já a União dos Aeroportos Franceses projeta uma perda de 630 mil passageiros durante a temporada de inverno.
A expectativa, porém, é de continuidade dessa trajetória: os aeroportos associados à entidade estimam uma queda adicional de 750 mil passageiros na temporada primavera–verão, sugerindo que o ajuste de oferta pode não ser pontual, mas sim prolongado.
O que os números não incluem e por que isso importa
Um ponto importante é que esses dados, por serem informados pelos membros da União dos Aeroportos Franceses, não incluem os aeroportos de Paris–Charles de Gaulle e Orly. Isso significa que as estimativas apresentadas refletem a situação de parte relevante da rede aeroportuária do país, mas não necessariamente capturam o comportamento dos maiores hubs parisienses - que podem seguir dinâmicas próprias, tanto por volume quanto por perfil de rotas e companhias.
Além disso, medidas fiscais como a TSBA costumam influenciar não apenas a quantidade de assentos ofertados, mas também o posicionamento de preços e a alocação de aeronaves entre países. Quando um mercado fica mais caro para operar, companhias podem redirecionar capacidade para destinos onde a demanda é semelhante, mas o custo total por passageiro é menor, o que tende a alterar a conectividade regional e as opções disponíveis aos viajantes.
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