A Ryanair decidiu encerrar, após apenas alguns meses, o seu programa de fidelidade Prime, considerado caro demais para manter. A iniciativa, lançada no começo do ano, acabou gerando prejuízo e levou a companhia a interromper a entrada de novos participantes.
Há muito tempo, a Ryanair vem mudando o mercado aéreo europeu com uma estratégia low cost agressiva e decisões que frequentemente provocam debate. Entre recordes de procura, controvérsias e mudanças operacionais, a empresa consolidou-se como um dos nomes mais relevantes do transporte aéreo na Europa - mas nem toda aposta recente deu retorno.
Ryanair Prime: aposta que não se pagou no programa de fidelidade
Com uma assinatura anual de € 79, a oferta Ryanair Prime prometia benefícios capazes de atrair viajantes frequentes, como:
- assentos reservados;
- seguro-viagem;
- várias promoções exclusivas ao longo do ano.
Desde o lançamento, o Prime conquistou mais de 55 mil viajantes. Mesmo assim, longe da meta inicial de 250 mil assinantes, a Ryanair anunciou que não aceitará novos membros no programa.
O motivo é financeiro. Segundo o diretor de marketing da companhia, a operação não fechou a conta: foram mais de € 4,4 milhões arrecadados em taxas de adesão, mas os membros receberam mais de € 6 milhões em descontos de tarifas. Na prática, isso representa uma perda líquida aproximada de € 1,6 milhão, o que levou a empresa a tratar o Prime como um teste e, agora, a encerrá-lo para novas adesões.
O que acontece com quem já é assinante do Ryanair Prime
Apesar do bloqueio para novos cadastros, quem já está no Prime continuará a usufruir dos benefícios e das ofertas exclusivas até o fim do período contratado. A validade máxima informada vai até o final de outubro de 2026, dependendo da data de assinatura de cada cliente.
Prioridade volta a ser tarifa baixa para todos os passageiros
A Ryanair afirma que manterá o foco em oferecer algumas das tarifas mais baixas da Europa para toda a sua base de clientes, em vez de concentrar incentivos num grupo relativamente pequeno de 55 mil membros Prime.
A companhia, que diz ter transportado mais de 207 milhões de passageiros neste ano, também sinalizou recentemente que pretende compensar uma leve queda média nas tarifas, buscando recuperar rentabilidade e margens.
Programas de fidelidade costumam funcionar melhor quando a empresa consegue equilibrar o custo dos benefícios (descontos, serviços agregados e seguros) com o ganho incremental em volume e recorrência. Para uma companhia ultra low cost, onde a disputa por preço é intensa e a margem por bilhete pode ser reduzida, qualquer incentivo mal calibrado tende a virar despesa difícil de sustentar.
Para quem viaja com frequência na Europa (inclusive brasileiros em conexão por lá), o fim do Prime reforça uma estratégia prática: acompanhar campanhas pontuais, assinar alertas de preço e comparar taxas adicionais (bagagem, marcação de assento e prioridade) pode ser mais vantajoso do que depender de um único pacote anual de benefícios.
Adeus ao papel: Ryanair passa a exigir cartão de embarque digital
Em outra mudança recente, a Ryanair também eliminou o uso de cartões de embarque impressos. Desde o início de novembro, passageiros que voam com a companhia precisam apresentar obrigatoriamente o cartão de embarque digital para aceder ao voo.
Na prática, isso significa que o viajante deve garantir acesso ao bilhete no telemóvel (por app ou formato digital aprovado), o que reduz o uso de papel e acelera processos - mas também exige atenção extra com bateria, conexão e disponibilidade do documento antes de chegar ao portão.
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