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Telhadista diz ter sido surpreendido por R$ 12.923,20 em multas de estacionamento em Paris e não consegue falar com ninguém

Homem preocupado falando ao telefone enquanto revisa documentos em mesa de cozinha iluminada pela janela.

Uma história digna de roteiro aconteceu com o artesão Gérald Guégan. Segundo relatou o jornal Oeste‑França, o profissional da Bretanha levou um choque ao descobrir, em junho do ano passado, que estaria devendo € 12.923,20 ao Tesouro Público de Paris por multas de estacionamento na capital francesa. Desde então, o jovem telhadista vem esbarrando nos labirintos do sistema administrativo francês - e, apesar de insistir, diz não conseguir respostas.

Como tudo começou: bloqueio bancário e uma lista com 115 cobranças

De acordo com a reportagem, o problema começou em abril, quando Gérald recebeu uma notificação do banco informando uma penhora administrativa. Na prática, € 959 ficaram bloqueados em sua conta.

Tentando entender a origem do débito, ele buscou esclarecimentos e, algumas semanas depois, recebeu um documento extenso: uma relação com 115 linhas, listando autos de infração não quitados no período de 7 de outubro de 2021 a 30 de setembro de 2024.

“Eu só queria falar com um ser humano”: o caso de Gérald Guégan e as multas de estacionamento

A surpresa foi total, porque ele afirma que não tinha recebido nenhuma notificação de multa ou lembrete até então. Ao jornal regional, explicou o contexto:

“Quando abri minha empresa, em 2015, comprei um veículo elétrico. Eu o declarei ao serviço de vias de Paris para ter direito às vagas de estacionamento gratuitas.”

Ele reconhece que, em outras ocasiões, até houve algumas multas que considerou injustas - mas preferiu não contestar e pagar para evitar desgaste.

O que apareceu agora, porém, foi incomparável: uma verdadeira avalanche de cobranças. Gérald relata ter feito inúmeros telefonemas em busca de uma solução, sem conseguir falar com alguém que de fato assumisse o caso. Ele lamenta a perda do que chama de “espírito de atendimento” e diz que queria apenas conversar com uma pessoa para destravar o processo.

Uma resposta que não resolve e a suspeita de placa clonada

Em outubro, finalmente veio um retorno da Tesouraria de Multas de Paris. A proposta era discutir o dossiê por telefone, com a observação de que o número de Gérald não aceitaria chamadas privadas - algo que ele contesta.

Na prática, o impasse continuou: o telefone informado segue sem atender. Cansado, ele passou a considerar até uma hipótese mais grave: a possível usurpação (clonagem) da placa do veículo. No momento, seu objetivo se resume a um ponto: encontrar um interlocutor que realmente avance com o assunto.

Um problema em alta: a fraude da placa duplicada (clonagem)

O caso ocorre em meio a um aumento dos golpes de placa duplicada na França. A lógica dessa fraude é direta: um criminoso copia a placa de um carro (muitas vezes a partir de fotos publicadas na internet) e instala a identificação em outro veículo. A partir daí, todas as infrações cometidas com a placa clonada podem acabar atribuídas ao proprietário legítimo.

Esse tipo de prática tem se tornado mais comum também porque, segundo o que vem sendo apontado, é relativamente fácil encomendar novas placas, muitas vezes sem apresentar um comprovante oficial. Isso cria um cenário favorável para atores mal-intencionados. Até o momento, nenhuma lei teria corrigido essa brecha específica, e o veículo menciona que há um conteúdo adicional com mais detalhes sobre o tema.

O que costuma ajudar a destravar casos desse tipo (e a evitar novos prejuízos)

Em situações semelhantes, costuma fazer diferença reunir e organizar evidências desde o início: comprovantes de cadastro do veículo elétrico no serviço de vias, registros bancários do bloqueio, eventuais comprovantes de pagamento de multas anteriores e qualquer comunicação oficial recebida. Com a documentação pronta, fica mais fácil demonstrar inconsistências - como infrações em locais e horários incompatíveis com a rotina do proprietário.

Também vale reforçar um cuidado simples: evitar expor fotos públicas que mostrem a placa com nitidez, especialmente em anúncios e redes sociais. Em muitos casos de clonagem, a obtenção dessa informação começa exatamente por imagens online aparentemente inofensivas.

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