A Livraria Lello & Irmão passou a ser reclassificada “como bem de interesse nacional, atribuindo-lhe a designação de monumento nacional”, segundo comunicado do Conselho de Ministros.
No mesmo texto, o governo afirma que o “reforço do reconhecimento patrimonial” se sustenta na excelência dos serviços culturais oferecidos, na proteção da identidade do estabelecimento e na projeção internacional da imagem associada à livraria.
Da proposta à decisão: como avançou a reclassificação da Livraria Lello
Em 13 de janeiro, data em que a histórica livraria do Porto celebrou 120 anos, o primeiro-ministro Luís Montenegro declarou que a reclassificação do edifício da Livraria Lello seria assumida de forma definitiva “na letra da lei”.
O procedimento para reclassificar o prédio, situado no centro do Porto, teve início em 2019, seis anos depois de o imóvel ter sido reconhecido como Monumento de Interesse Público.
Conforme a cronologia disponível na base de dados do instituto público Patrimônio Cultural, foi a própria Livraria Lello que, em 2019, solicitou a elevação do status para Monumento Nacional. Três meses mais tarde, o pedido seguiu para a então Direção-Geral do Patrimônio Cultural e, em 2021, recebeu parecer favorável da seção competente do Conselho Nacional de Cultura e, em seguida, concordância do então diretor-geral do Patrimônio Cultural.
Em janeiro de 2022, a Direção-Geral do Patrimônio Cultural publicou no Diário da República um aviso com a proposta à tutela para reclassificar a livraria como Monumento Nacional - medida que só agora é efetivamente concretizada.
Livraria Lello, Porto: localização e origem histórica
Instalada na União de Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória, e apontada como “uma das mais bonitas do mundo”, conforme descrito no diretório do Patrimônio Cultural, a Livraria Lello foi inaugurada no Porto em 1906, em um espaço que “herda a tradição da livraria Chardron”.
Esse reconhecimento institucional também reforça o papel do endereço como referência de turismo cultural na cidade. Ao ganhar o estatuto de Monumento Nacional, cresce a expectativa de que iniciativas de mediação cultural, programação e ações educativas se ampliem, ao mesmo tempo em que se aprimorem estratégias de preservação compatíveis com a intensa procura do público.
Outro ponto frequentemente associado a bens com alto fluxo de visitantes é a necessidade de equilibrar acesso e conservação. Medidas de gestão de visitação, sinalização patrimonial e rotinas de manutenção especializada tendem a ser determinantes para manter, no longo prazo, o estado de conservação que sustenta a relevância do monumento.
Arquitetura e elementos artísticos: fachada e interior
A fachada neogótica é marcada, no térreo, por um grande arco Tudor que integra a porta central e as janelas laterais. Sobre esse conjunto, aparece a inscrição Lello e Irmão.
Na parte superior, destaca-se uma janela tripla, ladeada por duas figuras que simbolizam Arte e Ciência. O frontispício, como um todo, é pontuado por decoração vegetal e geométrica de caráter medieval, por parapeitos rendilhados e por pináculos que enquadram um arco ogival.
No interior, arcos apontados se apoiam em pilares esculpidos com bustos de escritores como Antero de Quental, Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Teófilo Braga, Tomás Ribeiro e Guerra Junqueiro, dispostos sob dosséis rendilhados.
Valor patrimonial e estado de conservação
A descrição institucional conclui que a Livraria Lello & Irmão se afirma como um dos edifícios mais relevantes da arquitetura eclética portuguesa, reunindo marcenaria e vitrais considerados sem paralelo no país. Esse valor arquitetônico e artístico, acrescenta o texto, é ainda ampliado pela importância cultural que o espaço manteve de forma contínua ao longo do tempo e pelo seu excelente estado de conservação.
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