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Este grande fabricante de smartphones traz más notícias para o seu bolso.

Homem em escritório tecnológico analisa recibo segurando celular, com tablets e equipamentos ao redor.

A Xiaomi está a alertar: os preços dos smartphones podem subir por causa de um componente que também se tornou prioridade para centros de dados de IA: os chips de memória.

A inteligência artificial não pressiona apenas o consumo de energia. À medida que as grandes empresas de tecnologia aceleram a construção de novos centros de dados para treinar e operar modelos de IA, cresce a procura por memórias usadas em servidores. O efeito colateral é direto: a indústria de smartphones passa a disputar a mesma capacidade de produção - e isso tende a encarecer o fornecimento.

O cenário descrito por executivos do setor é que, para dar conta da demanda dos data centers, alguns fornecedores estariam a direcionar mais linhas de produção para memórias voltadas a servidores e a reduzir a oferta para outros segmentos, incluindo o de smartphones. Com menos unidades disponíveis para celulares, o resultado esperado é alta no preço do componente - e, em cadeia, pressão no custo final dos aparelhos.

Alerta da Xiaomi sobre chips de memória e preços dos smartphones

Após um aviso semelhante atribuído anteriormente à SMIC, fabricante de componentes para eletrônicos, a discussão ganhou contornos mais concretos com declarações recentes da Xiaomi. Durante a apresentação de resultados trimestrais, a empresa demonstrou preocupação com o que vê como um aperto maior no abastecimento no curto prazo.

Segundo a Reuters, Lu Weibing, presidente da Xiaomi, afirmou numa teleconferência que espera uma pressão “muito mais forte” no próximo ano do que a observada neste ano. Na mesma linha, ele teria indicado que os consumidores provavelmente notarão um “aumento considerável” nos preços dos produtos.

O ponto sensível é que, mesmo com reajustes, isso pode não resolver totalmente o problema. Ainda conforme a Reuters, Lu Weibing reconheceu que parte da pressão talvez precise ser compensada com aumentos de preços, mas que esses aumentos, por si só, podem não ser suficientes para absorver todo o impacto da situação.

A Xiaomi, aliás, já vinha a mencionar o encarecimento de chips de memória antes. Em outubro, Lu Weibing teria usado esse fator para justificar a alta no preço do Redmi K90, vendido na China, em comparação com o modelo anterior. De acordo com a Reuters, ele teria dito que o aumento dos custos das memórias superou muito as previsões e pode se intensificar.

Por que centros de dados de IA competem com o mercado de smartphones

A memória é um dos elementos críticos em servidores voltados a IA, e a expansão de data centers cria um ciclo de compras volumosas e contínuas. Quando essa demanda cresce mais rápido do que a capacidade industrial consegue acompanhar, o mercado tende a reagir com priorização de pedidos, contratos de longo prazo e reprecificação - o que aperta os segmentos com margens mais sensíveis, como o de smartphones intermediários.

Além disso, quando o custo de um componente-chave sobe, as marcas acabam a ter poucas saídas: aceitar menor margem, ajustar especificações (como armazenamento e configurações), ou repasse parcial ao consumidor. Em qualquer uma das opções, o risco de ver smartphones mais caros ao longo das próximas gerações aumenta.

O que isso pode significar para quem vai comprar um smartphone

Se a oferta de chips de memória continuar mais apertada, é plausível que a diferença de preço entre versões com mais armazenamento e as versões de entrada fique maior, ou que promoções se tornem menos frequentes em certos períodos. Para o consumidor no Brasil, isso pode tornar ainda mais relevante comparar custo-benefício, avaliar a necessidade real de armazenamento e considerar o momento da compra (por exemplo, aguardando ciclos de descontos sazonais).

Do lado das fabricantes, uma resposta possível é diversificar fornecedores, negociar contratos de fornecimento com antecedência e ajustar portfólios para proteger linhas mais vendidas. Ainda assim, como o próprio alerta da Xiaomi sugere, a pressão pode persistir - especialmente se o ritmo de expansão de centros de dados de IA seguir acelerado.

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