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Diamante Motswedi: a segunda maior pedra do mundo pode ir para um museu ou para a coleção de um xeque

Homem analisando uma pedra preciosa grande enquanto está sentado à mesa com documentos e mapa.

A segunda maior pedra de diamante já encontrada no mundo, a Motswedi, pode em breve ganhar um destino definitivo - como peça de museu ou como item de alto luxo em uma coleção privada. Antes disso, porém, o exemplar precisa passar por uma avaliação técnica detalhada, segundo informou à AFP a empresa belga responsável por mantê-lo sob custódia e análise.

Avaliação do diamante Motswedi em Antuérpia, centro global do comércio de diamantes

Extraída no ano passado em Botsuana, a pedra de 2.488 quilates conhecida como Motswedi está a ser examinada pela negociadora de gemas HB Antwerp, em Antuérpia, cidade portuária que também é um dos principais polos mundiais do setor de diamantes.

De acordo com Margaux Donckier, diretora de assuntos públicos da HB Antwerp, ainda não é possível estabelecer um valor com segurança. Segundo ela, o passo inicial é inspecionar minuciosamente a pedra e determinar o que poderá ser obtido após a lapidação, já que o preço final depende do rendimento e da qualidade das gemas polidas que o bruto permitirá produzir.

Descoberta na mina Karowe e parceria entre Lucara Diamond e HB Antwerp

Com massa aproximada de 0,5 kg, a Motswedi foi localizada no último verão na mina Karowe, no nordeste de Botsuana - o maior produtor de diamantes de África.

A mina pertence à empresa canadense Lucara Diamond, que firmou parceria com a HB Antwerp para processar e comercializar pedras com mais de 10,8 quilates. No momento, a HB Antwerp está a apresentar a Motswedi como parte de um conjunto de quatro gemas encontradas recentemente na mesma mina - entre elas, inclui-se também o terceiro maior diamante do mundo.

Embora seja prematuro atribuir um preço individual a cada uma dessas pedras, Donckier afirmou que, consideradas em conjunto, as quatro deveriam alcançar pelo menos US$ 100 milhões.

Interesse mundial e possíveis destinos: museu ou coleção de um xeque

Mesmo sem um valor oficialmente definido, a Motswedi já atraiu grande atenção internacional. Donckier disse que houve “muito interesse” vindo de diferentes partes do mundo.

A raridade extrema de pedras desse porte, segundo ela, torna plausível que a Motswedi termine exposta como patrimônio público. Ela comentou que museus já fizeram contato, justamente por se tratar de exemplares cuja dimensão e singularidade quase não existem no mercado.

Ao mesmo tempo, Donckier observou que a pedra também pode vir a integrar uma coleção particular de alto perfil - por exemplo, a de um xeque interessado em acrescentar a Motswedi ao seu acervo.

Comparações em Botsuana e no mundo: Sewelo, Cullinan e a Estrela de África

Antes da descoberta da Motswedi, a maior pedra encontrada em Botsuana era o diamante Sewelo, de 1.758 quilates, extraído pela Lucara Diamond na mina Karowe em 2019.

No panorama histórico global, o maior diamante de qualidade gemológica já registado continua a ser, com ampla margem, o Cullinan. A pedra foi descoberta em 1905 na África do Sul, com 3.106 quilates.

Entre os diamantes lapidados a partir do Cullinan está a Estrela de África, que integra as joias da Coroa Britânica e permanece em exibição na Torre de Londres.

O que define o valor de uma pedra como a Motswedi

A avaliação de um diamante bruto desse tamanho envolve mais do que o peso em quilates. Especialistas consideram a presença de inclusões, a uniformidade do material, a cor e a possibilidade de obter gemas polidas com cortes de alto valor - fatores que influenciam diretamente o “rendimento” após a lapidação.

Além disso, decisões estratégicas podem pesar tanto quanto a técnica: em certos casos, manter uma pedra extraordinária intacta - como peça de referência histórica e científica - pode gerar um impacto cultural e reputacional comparável ao retorno de uma venda tradicional, especialmente quando há interesse de instituições e colecionadores.

© Agência France-Presse

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