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Por que o preço da gasolina e do diesel sobe?

Homem segurando comprovante e celular em posto de gasolina ao lado de carro abastecendo.

Sempre que a gasolina ou o diesel ficam mais caros, quase sempre aparece um “culpado único”: ora é o governo, ora é a cotação do petróleo, ora são as margens de lucro dos postos e distribuidoras.

Só que a conta é mais complicada. O valor final que a gente paga - e dá para concordar que costuma pesar no bolso - nasce da soma de várias parcelas, que se acumulam até o combustível chegar à bomba.

A parte mais pesada, ainda assim, segue sendo definida pelo Estado: ela representa mais de 60% do que o consumidor desembolsa. Esse peso vem não apenas dos tributos (como os impostos sobre combustíveis e o imposto sobre consumo, a depender do modelo tributário adotado), mas também de exigências legais, como a mistura obrigatória de biocombustíveis. No recorte deste ano, a incorporação mínima fixada pelo governo é de 13%, em linha com metas de descarbonização.

Para entender quais outros componentes entram no cálculo do preço dos combustíveis, é comum recorrer a órgãos e bases oficiais do setor (como a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis - ANP, no Brasil), que divulgam referências e levantamentos de preços e ajudam a “abrir” o valor final em diferentes parcelas.

Todos os fatores que entram na conta do preço da gasolina e do diesel

Além de impostos e biocombustíveis, o outro grande bloco que mexe com o preço é a própria matéria-prima - isto é, a cotação internacional dos produtos derivados do petróleo.

Essa cotação oscila diariamente por vários motivos: sazonalidade (o diesel costuma encarecer no inverno em alguns mercados por ser usado também para aquecimento, por exemplo), ajustes de oferta via cotas de produção, gargalos e atrasos na logística, ou até conflitos que atinjam regiões produtoras.

Outro componente de grande impacto é o custo de transportar esses produtos até o país. Somado à cotação internacional, ele forma a segunda maior fatia do preço total - atrás apenas dos impostos - e costuma estar entre os principais responsáveis pelas quedas e altas no valor cobrado do consumidor.

Também existem custos marginais ligados à manutenção de reservas estratégicas de combustíveis. Essas reservas são exigidas por motivos de segurança energética, e os gastos com gestão e armazenagem acabam, direta ou indiretamente, aparecendo no preço final.

Na mesma linha, entram as operações logísticas necessárias para descarregar, manter o produto em armazenamento temporário e deixá-lo pronto para a distribuição.

Por último, vêm as margens dos comercializadores. Apesar de serem muito comentadas, elas representam algo em torno de 10% do preço total (margem líquida), segundo fonte citada em estudos de defesa do consumidor (como a DECO). Esse percentual cobre despesas de distribuição após a armazenagem e custos operacionais, e varia conforme o distribuidor e o posto. Essa parcela, por sua natureza, não costuma entrar em um preço de referência “antes” da fase de comercialização.

Um jeito simples de visualizar as parcelas

Parcela do preço O que inclui Peso típico/observação
Estado (impostos e exigências) Tributos + obrigações como biocombustíveis Mais de 60% do valor pago
Matéria-prima Cotação internacional dos derivados do petróleo Oscila diariamente
Transporte Custo do transporte até o país Junto da cotação, é a maior força fora dos impostos
Reservas estratégicas Manutenção, gestão e armazenagem Custo marginal, mas real
Logística interna Descarga, armazenagem temporária e preparação para distribuição Dilui-se ao longo da cadeia
Comercialização Margens dos comercializadores e custos operacionais Em torno de 10% (margem líquida)

Dois pontos que também pesam no Brasil (e ajudam a explicar a volatilidade)

Além do que já entra na decomposição básica, vale lembrar que, no Brasil, o câmbio pode amplificar variações: quando o dólar sobe, tende a aumentar o custo de importação de combustíveis e de insumos do setor, o que pressiona preços ao longo da cadeia.

Outro fator relevante é a política de preços e o nível de concorrência local. Diferenças de competição entre regiões, distância de bases de distribuição e capacidade de refino/abastecimento podem gerar disparidades de preços entre cidades e estados, mesmo quando a cotação internacional está estável.

Medidas do governo para conter aumentos

Na data de publicação do texto original, seguem em vigor, desde 2022 (com o início da invasão da Ucrânia), medidas governamentais para amortecer a alta dos combustíveis, incidindo principalmente sobre o imposto específico do setor. Em outras palavras: mesmo com o preço elevado, ele poderia estar consideravelmente mais alto sem essas reduções e ajustes temporários.

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