Pular para o conteúdo

Porta-aviões *Liaoning* (CV-16) retoma adestramento no **Mar Amarelo**, segundo indícios de OSINT

Militar orienta decolagem de caça em porta-aviões com navio e mar ao fundo sob luz do dia.

Imagens de satélite compartilhadas em fontes de Informação de Fonte Aberta (OSINT) indicam que o porta-aviões Liaoning (CV-16), da Marinha do Exército Popular de Libertação da China (PLAN), pode ter iniciado uma nova rodada de exercícios no Mar Amarelo. Os registros, atribuídos ao satélite Sentinel-1 e datados de 31 de março, sugerem que o navio foi visto navegando ao lado de outra embarcação em uma área de treinamento situada a aproximadamente 200 km ao sul da Base Aérea de Dachang, com as esteiras no mar apontando deslocamento compatível com manobras.

Exercícios do porta-aviões Liaoning no Mar Amarelo: padrões de treinamento da PLAN

Mesmo sem confirmação oficial por autoridades chinesas, a presença do Liaoning nessa região se encaixa em rotinas conhecidas de adestramento da PLAN, que utiliza o Mar Amarelo como um de seus principais espaços para exercícios navais - inclusive atividades com porta-aviões. Em deslocamentos desse tipo, é comum haver treinos relacionados à aviação embarcada, como decolagens e pousos, além de práticas de coordenação com navios de escolta e procedimentos típicos de operação dentro de um grupo de combate.

Papel do Liaoning na evolução da aviação embarcada chinesa

Como primeiro porta-aviões operacional da China, o Liaoning segue ocupando um lugar central no amadurecimento das capacidades navais do país e na sua projeção de poder. Ainda que tenham entrado em serviço unidades mais recentes - como o Shandong (CV-17) e o Fujian (CV-18), comissionado mais recentemente -, o Liaoning preserva relevância como plataforma de treinamento e de validação doutrinária. Na prática, ele contribui para formar tripulações, pilotos e equipes técnicas em um ambiente operacional cada vez mais exigente.

Antecedentes em 2025 no Pacífico ocidental e no Mar das Filipinas

Vale lembrar que, ao longo de 2025, o Liaoning esteve no centro de diferentes deslocamentos em águas do Pacífico ocidental, incluindo sua passagem pelo Mar das Filipinas. Na ocasião, sua movimentação foi acompanhada de perto por meios japoneses durante o que foi descrito como seu último desdobramento, em um cenário de atenção crescente às operações chinesas na região.

Nesse mesmo contexto, foram relatados episódios envolvendo caças F-15J da Força de Autodefesa Aérea do Japão, em eventos que evidenciam o nível de tensão regional e a intensificação do contato entre forças militares em áreas disputadas ou de alto interesse estratégico.

O que a leitura por satélite pode (e não pode) indicar

Embora imagens do Sentinel-1 sejam úteis para identificar presença, deslocamento e padrões de navegação - especialmente quando se observam as esteiras e a formação entre unidades -, esse tipo de material raramente permite confirmar, por si só, quais atividades específicas estão em andamento. Em exercícios com porta-aviões, parte das ações mais relevantes ocorre em janelas curtas (por exemplo, ciclos de decolagem e pouso), o que pode escapar aos horários de passagem do satélite ou à resolução disponível.

Ainda assim, quando um porta-aviões aparece acompanhado por outra unidade em uma área típica de treinamento, a interpretação mais consistente costuma ser a de um pacote de adestramento que combina navegação tática, coordenação entre escoltas e preparação para operações aéreas, mesmo que essas operações não sejam diretamente observáveis na imagem.

Intensificação da atividade naval chinesa em mares adjacentes

Se o início dessas novas manobras for confirmado, o desdobramento do Liaoning reforçará a intensificação sustentada das atividades navais chinesas em seus mares adjacentes, em um momento no qual Beijing mantém foco no treinamento de suas forças de superfície e no aprimoramento de capacidades de projeção, alinhados à sua estratégia de consolidação marítima.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário