O último eclipse do ano está batendo à porta. Se o céu colaborar, alguns observadores sortudos e caçadores de eclipses mais determinados poderão ver, pela última vez em 2024, a Lua passar em frente ao Sol na quarta-feira, 2 de outubro, durante um eclipse solar anular.
Este evento encerra a temporada atual e é o derradeiro eclipse solar de 2024. O primeiro eclipse solar do ano - o eclipse total de 8 de abril, que atravessou a América do Norte - foi acompanhado por milhões de pessoas. Já o eclipse desta semana, em comparação, será bem mais discreto.
Eclipse solar anular de 2 de outubro de 2024: caminho e condições de observação
A faixa principal do eclipse cruza o Pacífico Sul e só toca terra em Ilha de Páscoa, Chile e Argentina. A anularidade máxima chega a 7 minutos e 25 segundos, numa região a noroeste da Ilha de Páscoa.
Perto do pôr do sol, há chance de conseguir fotos espetaculares dos chamados “chifres do Sol” na direção das Ilhas Malvinas e do Cabo Horn / extremo sul da América do Sul.
As fases parciais poderão ser vistas a partir da Antártida e do norte da Nova Zelândia, passando por boa parte do sul da América do Sul e alcançando Brasil, Paraguai e Peru, além de uma pequena faixa na costa oeste do Pacífico do México.
No Atlântico Sul, as Ilhas Malvinas ficarão por pouco fora da faixa ideal: em Stanley, o eclipse parcial chegará a 84% de obscurecimento do Sol.
Vale lembrar que, em eclipses como este, o que define a experiência é uma combinação de fatores práticos: horizonte livre (principalmente se você estiver perto do pôr do sol), nebulosidade local e planejamento de deslocamento. Mesmo dentro da área de visibilidade parcial, pequenas diferenças de posição podem mudar bastante o quanto o Sol fica encoberto.
Por que eclipses anulares acontecem?
Um eclipse solar anular ocorre quando a Lua, vista da Terra, aparenta estar pequena demais para cobrir todo o disco do Sol. Tanto o tamanho aparente do Sol quanto o da Lua variam ao longo do mês e do ano, porque as órbitas da Lua e da Terra são elípticas.
Durante um eclipse anular, a sombra principal da Lua não alcança a superfície terrestre. O efeito do “anel de fogo” aparece na região chamada antumbra, onde a Lua fica centralizada no Sol, mas deixa um anel luminoso ao redor.
Muita gente se impressiona com o quão “perfeitos” parecem os eclipses totais, porém esse equilíbrio não é permanente. Daqui para frente, os anulares tendem a ser mais comuns, porque a Lua está se afastando lentamente da Terra. Em cerca de 600 milhões de anos, os eclipses anulares “vencerão” de vez: os eclipses solares totais deixarão de acontecer na superfície do planeta.
Há um motivo bem claro para este eclipse ser anular. A Lua atinge o apogeu (ponto mais distante da Terra) mais afastado de 2024 em 2 de outubro, apenas 50 minutos após a conjunção do eclipse, às 19:08 no Tempo Universal (UT), a 406.516 km da Terra.
Temporada de eclipses e a Série Saros Solar 144
Este eclipse também marca o encerramento da segunda e última temporada de eclipses de 2024. A temporada foi “delimitada” por um discreto eclipse lunar parcial ocorrido no começo deste mês.
Além disso, este evento é o membro 17 de um conjunto de 70 eclipses da relativamente nova Série Saros Solar 144. Essa série é conhecida por produzir muitos eclipses anulares: começou em 11 de abril de 1736 e terminará em 5 de maio de 2980.
Observação e segurança
Diferentemente de um eclipse total, neste é obrigatório manter as medidas de segurança o tempo todo, inclusive durante a fase anular.
Mesmo “apenas” alguns poucos por cento do Sol já são luz suficiente para manter o céu com um tom azul profundo e metálico - muitas vezes o único sinal de que algo extraordinário está acontecendo. A NASA mantém uma página bem completa com orientações de segurança para eclipses.
Também existe um jeito simples (e bem acessível) de observar o fenômeno indiretamente: procure miniaturas do Sol em forma de crescente projetadas por “furinhos” naturais. Isso pode aparecer em vãos entre folhas de árvores, em treliças e grades. Utensílios de cozinha como raladores e escorredores também funcionam como projetores de múltiplos furos.
Para quem pretende fotografar, a regra é a mesma: filtro solar apropriado no equipamento sempre que o Sol estiver no quadro. Em eclipses anulares não existe o “momento seguro sem filtro” que ocorre, por poucos minutos, apenas em eclipses totais dentro da faixa de totalidade.
O Cometa Tsuchinshan-ATLAS pode aparecer?
O Cometa Tsuchinshan-ATLAS (T-ATLAS) “talvez” dê as caras durante o eclipse. Já houve cometas aparecendo em um eclipse anular? É difícil, mas cometas muito brilhantes já foram observados até durante o dia.
No início de outubro, existe a possibilidade de o cometa Tsuchinshan-ATLAS “talvez” alcançar magnitudes negativas, e ele estará a aproximadamente 20 graus do Sol durante o eclipse solar anular da próxima quarta-feira.
Ainda assim, é uma chance extremamente remota enxergar o T-ATLAS contra um céu tão claro. Por outro lado, no eclipse total de 8 de abril, foi possível notar Vênus ficando nitidamente visível cerca de 10 minutos antes da totalidade - então, em astronomia, sempre há espaço para surpresas.
Próximos eclipses
Em 2025, os próximos eclipses solares serão apenas dois eclipses parciais no mundo: um em 29 de março, voltado para o Atlântico Norte, e outro em 21 de setembro, com melhor visibilidade na Nova Zelândia e no Pacífico Sul. O próximo eclipse anular só acontecerá em 17 de fevereiro de 2026, sobre a remota Antártida.
Haverá transmissão ao vivo?
Até o momento em que este texto foi escrito, não surgiram transmissões ao vivo confirmadas ao longo da faixa do eclipse. Se aparecerem opções, elas podem ser divulgadas conforme forem anunciadas.
Se você tiver a oportunidade, vale a pena: não deixe passar este último eclipse do ano.
Este artigo foi publicado originalmente pelo portal Universo Hoje. Leia o artigo original.
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