Os puxadores de portas retráteis, popularizados pela Tesla, viraram um dos assuntos mais discutidos recentemente quando o tema é segurança no trânsito. A China, por exemplo, avalia proibir esse tipo de puxador não apenas nos modelos da Tesla, mas em todos os carros vendidos no país, com vigência prevista a partir de 2027.
Na Europa, a efetividade desses puxadores também entrou em análise rigorosa depois de vários acidentes graves. De um lado, há registros de que o resgate de passageiros foi prejudicado pelo uso de puxadores retráteis; de outro, também se observa a dificuldade de acesso às alavancas mecânicas de emergência por parte dos ocupantes - algo que já havia sido apontado em uma apuração da Bloomberg News, publicada em 10 de setembro.
Além da questão do acesso em colisões, esses sistemas podem falhar em situações do cotidiano que acabam virando emergência: perda de energia, travamentos do atuador elétrico, acúmulo de sujeira e até condições ambientais que dificultam o acionamento. Por isso, reguladores e entidades de segurança tendem a exigir que a abertura da porta não dependa exclusivamente de componentes eletrônicos.
Falhas de segurança nos puxadores de portas retráteis da Tesla
A RDW (autoridade de veículos dos Países Baixos), que faz a inspeção e a homologação de veículos da Tesla comercializados na União Europeia (UE), informou que pretende mudar as regras para assegurar que os ocupantes consigam sair do carro após um acidente e/ou que as equipes de resgate consigam acessar o interior do veículo.
Segundo um porta-voz da RDW, em declaração enviada por e-mail à Bloomberg, a exigência é que as portas permaneçam funcionais tanto por dentro (pelos ocupantes) quanto por fora (pelas equipes de socorro), mesmo quando houver falha de energia.
“As regras atuais não dão conta do recado com a chegada de novos sistemas nas portas, e o tema já está sendo tratado nos comitês responsáveis.”
Porta-voz da RDW
A autoridade holandesa também ressaltou que garantir a abertura das portas com puxadores elétricos em caso de acidente é um ponto considerado prioritário tanto para o Euro NCAP quanto para a UNECE (Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa). Até agora, a Tesla não se manifestou.
Investigação nos EUA e redesenho do sistema
Nos Estados Unidos, a NHTSA (Administração Nacional de Segurança de Trânsito Rodoviário) iniciou uma investigação sobre possíveis defeitos em puxadores retráteis de alguns Model Y, o veículo mais vendido da marca. À Bloomberg, Franz von Holzhausen, diretor de design da Tesla, disse que a empresa está redesenhando os puxadores, combinando componentes elétricos e mecânicos, para deixar o acionamento mais intuitivo em situações de emergência.
Pressão por regras mais rápidas e possíveis recalls na UE
Com sede em Bruxelas, o Conselho Europeu de Segurança Rodoviária pediu que o processo regulatório seja acelerado e defendeu a abertura de procedimentos de recall (campanhas de chamamento) na UE para veículos em que os ocupantes possam ficar presos em cenários de emergência.
Em comunicado, Antonio Avenoso, diretor executivo do Conselho Europeu de Segurança no Transporte, alertou que não se trata de uma hipótese distante: pessoas estariam morrendo por não conseguirem sair do veículo justamente quando cada segundo é decisivo.
Como medida complementar, especialistas têm defendido que montadoras adotem soluções que facilitem o uso sob estresse: sinalização clara do acionamento mecânico, instruções visíveis no interior do carro e padronização do local da liberação de emergência. Isso ajuda não só motoristas e passageiros, mas também equipes de resgate, que precisam agir com rapidez e, muitas vezes, em ambientes com pouca visibilidade ou com o veículo danificado.
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