Os resultados da Ferrari em 2025 reforçam a robustez do modelo de negócios de Maranello. A fabricante italiana encerrou o ano com receitas de 7,146 bilhões de euros, o maior patamar de sua história: um avanço de 7% sobre o já recordista 2024 e mais que o dobro do que havia faturado em 2020.
Na linha de rentabilidade, o lucro operacional (EBIT) cresceu 12%, chegando a 2,11 bilhões de euros, com margem de 29,5%. Já o lucro líquido atingiu 1,6 bilhão de euros, enquanto o lucro diluído por ação ficou em 8,96 euros.
Entregas da Ferrari em 2025: estabilidade planejada em Maranello
Em relação às entregas de novos modelos, os números permaneceram praticamente estáveis. Ao todo, a Ferrari entregou 13.640 veículos novos em 2025, levemente abaixo (-0,8%) das 13.752 unidades registradas em 2024.
Essa constância não aconteceu por acaso. A própria Ferrari afirma que optou por manter as vendas quase no mesmo nível do ano anterior para facilitar a transição entre modelos, processo que segue ao longo deste ano.
Nesse contexto, a contribuição do 12Cilindri e da família SF90 XX fortaleceu a composição do portfólio. Ao mesmo tempo, o Daytona SP3 concluiu sua série limitada, e o F80 começou a ser entregue no último trimestre do ano passado.
Um ponto que ajuda a explicar por que a estabilidade em volume não impede a evolução do lucro é a estratégia da marca de priorizar valor por unidade, e não escala: versões mais exclusivas, séries especiais e um nível maior de configuração sob medida tendem a elevar o ticket médio e, consequentemente, as margens.
Novos modelos da Ferrari e a chegada do Ferrari Luce (100% elétrico)
Em 2025, a marca de Maranello colocou seis novos modelos no mercado: 296 Speciale, 296 Speciale A, Amalfi, 849 Testarossa, 849 Testarossa Spider e a primeira fase de revelação do novo Ferrari Luce, o primeiro modelo 100% elétrico da Ferrari.
Além da linha de veículos, vale destacar que as receitas de patrocínios, atividades comerciais e iniciativas de estilo de vida da empresa superaram 800 milhões de euros em 2025, um crescimento de 22% em comparação com o ano anterior.
A eletrificação, por sua vez, tende a trazer mudanças não só no produto, mas também no relacionamento com clientes e no ecossistema ao redor do carro (infraestrutura, serviços e experiência de uso). No caso da Ferrari, a expectativa é que a estreia do Ferrari Luce seja acompanhada por um posicionamento que preserve os pilares tradicionais da marca - desempenho, tecnologia e exclusividade - dentro de uma nova arquitetura.
Ferrari com margens em alta e elétrico a caminho
A melhora nas margens da Ferrari é atribuída principalmente a uma oferta de produtos mais favorável e a maiores níveis de personalização e opções sob encomenda. Ainda assim, a empresa informou que teve custos mais elevados nas áreas de marketing e P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) - despesas associadas, em grande medida, a um nível mais intenso de inovação, tanto nos modelos de rua quanto nos carros de competição.
Para 2026, a Ferrari projeta receitas próximas de 7,5 bilhões de euros. A margem de lucro operacional deve se manter no mesmo nível ou acima do registrado neste ano (29,5%), enquanto o lucro operacional é esperado na faixa de 2,22 bilhões de euros.
Por fim, a carteira de pedidos da Ferrari já se estende até o fim de 2027, um indicativo claro de demanda sólida pelos modelos de Maranello. Ainda assim, essa fila pode crescer. O Ferrari Luce, primeiro 100% elétrico da marca italiana, tem estreia mundial marcada para 25 de maio deste ano, em Roma.
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