O total de vítimas mortais nas estradas portuguesas recuou no primeiro trimestre de 2025, de acordo com os dados divulgados pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) no relatório Sinistralidade 24 Horas, Fiscalização e Infrações.
Entre janeiro e março, foram contabilizados 8.270 acidentes com vítimas no Portugal Continental e nas Regiões Autônomas. Desse conjunto, resultaram 90 mortos, 531 feridos graves e 9.641 feridos leves.
Na comparação com 2019 - ano de referência adotado pela Comissão Europeia e por Portugal para acompanhar as metas de redução de sinistralidade até 2030 - os indicadores mostram avanço: o número de vítimas mortais, por exemplo, caiu 25%.
O contraste com o mesmo período de 2024 também aponta uma evolução favorável: houve redução no total de acidentes, de mortos e de feridos, com a queda mais expressiva justamente nas vítimas mortais (-14,3%).
Além de medir resultados, esse tipo de balanço é essencial para direcionar políticas públicas: onde a fiscalização deve ser reforçada, quais trechos precisam de engenharia de tráfego e em que perfis de risco (como tipo de via e modalidade de deslocamento) campanhas educativas tendem a ter maior impacto.
Sinistralidade rodoviária em Portugal: números em mais detalhe (2025)
Do total de acidentes com vítimas, 95,5% ocorreram no Portugal Continental. No primeiro trimestre, foram registrados 7.906 acidentes, que resultaram em 86 mortos (-16,5%), 495 feridos graves (-4,3%) e 9.214 feridos leves (-0,4%).
Nas Regiões Autônomas, houve quatro acidentes fatais nos três primeiros meses do ano.
No recorte por território, Lisboa liderou em acidentes com vítimas (1.848 / +6,6%), seguida por Porto (1.421 / +1,1%) e Braga (734 / +2,2%). Já em vítimas mortais, o Porto registrou 16 mortos (-5,9%), à frente de Lisboa (10 / 0%) e Aveiro (9 / +125%).
Quanto ao tipo de veículo, os automóveis ligeiros continuaram sendo os mais presentes entre as vítimas mortais (42 / -19,2%), seguidos pelos motociclos (26 / +23,8%).
Colisões seguem como a principal causa
No período entre janeiro e março, as colisões responderam por mais da metade dos acidentes (53,1%) e estiveram associadas a 51,1% das mortes e 47,6% dos feridos graves.
Os despistes representaram 29,5% dos acidentes, mas estiveram ligados a quase 39% das vítimas mortais. Já os atropelamentos corresponderam a 17,5% do total de ocorrências e a 18% das mortes.
Em relação ao ano anterior, as colisões subiram 3,1%, enquanto despistes e atropelamentos recuaram 2% e 7,2%, respectivamente.
A maioria dos acidentes aconteceu dentro de localidades
A maior parte dos acidentes com vítimas ocorreu dentro de localidades: 79,6% do total. Esses sinistros concentraram 60% das mortes, 66,7% dos feridos graves e 77,6% dos feridos leves, o que representa um aumento discreto de 0,6% em comparação com 2024.
Os arruamentos seguem como o tipo de via mais crítico, reunindo 64,2% dos acidentes com vítimas (5.306), um crescimento de 2,9% frente a 2024. Nesses locais, as vítimas mortais aumentaram 32,3% em relação a 2024 e 13,9% na comparação com 2019.
Mesmo com a melhora geral, os dados reforçam que o risco permanece elevado no ambiente urbano. Medidas como redução de velocidade em áreas residenciais, travessias mais seguras, fiscalização consistente e maior previsibilidade na convivência entre carros, motos e pedestres tendem a ser decisivas para sustentar a queda de mortos e feridos até 2030.
Você pode consultar o relatório completo no link disponibilizado pela ANSR.
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