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Incentivos à compra de elétricos voltam em força na Alemanha

Carro elétrico verde metálico estacionado em ambiente moderno com painel de recarga ao fundo.

A Alemanha pretende colocar em prática ainda este ano um novo programa de incentivos para veículos elétricos de € 3 bilhões, com a meta de acelerar as vendas e dar suporte ao maior mercado automotivo da Europa - mesmo após o país ter registrado alta de 43,2% nos emplacamentos de elétricos no ano passado.

Uma mudança importante é que o pacote não será exclusivo para veículos elétricos: ele também passará a contemplar híbridos plug-in e modelos com extensor de autonomia (EREV). Para entrar nas regras do programa, os veículos precisam ter emissões abaixo de 60 g/km de CO₂ ou oferecer autonomia elétrica mínima de 80 km (WLTP).

Anunciados em outubro, os incentivos devem bancar até 800 mil automóveis, com subsídios básicos de € 1.500 para híbridos plug-in e € 3.000 para elétricos, variando conforme o modelo e a renda familiar, de acordo com Carsten Schneider, ministro do Meio Ambiente.

Inscrições e condições do programa de incentivos para veículos elétricos

Os subsídios para veículos elétricos na Alemanha foram desenhados sobretudo para atender famílias de baixa e média renda. O teto anual para elegibilidade será de € 80 mil, com acréscimo de € 5 mil por filho, até chegar ao limite de € 90 mil. O valor do apoio pode alcançar até € 6 mil e vale tanto para compra quanto para leasing, sem impor teto para o preço do veículo. A intenção é manter a política ativa até 2029.

As solicitações poderão ser feitas de forma retroativa para registros realizados desde 1º de janeiro, e o veículo precisará permanecer com o beneficiário por pelo menos 36 meses. A abertura oficial das inscrições ocorrerá em maio, e a regra é clara: “o pedido de financiamento só pode ser enviado após o registro do veículo”.

“Depois de o governo federal já ter feito muito para tornar os carros elétricos atrativos como veículos corporativos, este programa de financiamento apoia especificamente os particulares”, afirmou Carsten Schneider, ministro federal do Meio Ambiente.

Para facilitar a adesão, é recomendável que os interessados se preparem com antecedência, reunindo comprovantes de renda e documentos do veículo, além de verificar se o modelo atende aos critérios de CO₂ e/ou autonomia elétrica (WLTP). Como há exigência de permanência mínima de 36 meses, também vale planejar o uso para evitar imprevistos que possam comprometer o benefício.

Além disso, o governo estendeu a isenção do imposto automóvel (um tributo anual sobre o veículo, equivalente ao que no Brasil se aproxima do IPVA) até 31 de dezembro de 2030, podendo, no período máximo, se alongar até 2035.

Mais elétricos do que nunca na Alemanha

Dois anos atrás, a Alemanha encerrou seus programas de incentivo, o que gerou uma queda acentuada nas vendas. Em 2024, foram comercializados 380.609 elétricos, uma retração de 27,4% em relação a 2023.

Já em 2025, mesmo sem subsídios, o registro de veículos elétricos avançou 43,2%, com 545.142 novos emplacamentos e uma participação de 19,1% no mercado (fonte: KBA). A expectativa do governo é que o retorno dos incentivos eleve as vendas em 17% na comparação com 2025.

A ampliação do apoio para híbridos plug-in e extensor de autonomia (EREV) também pode influenciar o perfil da demanda, especialmente entre motoristas que ainda dependem de longas distâncias e veem nesses modelos uma transição mais confortável. Ao mesmo tempo, a efetividade do programa tende a caminhar junto com a expansão da infraestrutura de recarga e a maior disponibilidade de pontos rápidos em rodovias e centros urbanos.

Ainda assim, a medida não é consenso. “Os subsídios não fazem sentido do ponto de vista econômico e apenas impõem uma pressão desnecessária sobre o orçamento nacional”, criticou Ferdinand Dudenhoeffer, diretor do instituto de pesquisa CAR.

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