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Air Antilles enfrenta nova fase de turbulência e tem frota inteira paralisada

Dois pilotos conversam em pista diante de avião turboélice da companhia aérea Arantiles.

A Air Antilles entrou em mais uma zona de forte instabilidade: a companhia foi obrigada a manter todos os seus aviões em solo depois que seu Certificado de Transporte Aéreo (CTA) foi suspenso. Por enquanto, não há uma data confirmada para a retomada dos voos.

Desde 8 de dezembro, à meia-noite, toda a frota da Air Antilles está impedida de operar. Criada em 2022, a empresa regional faz ligações entre Guadalupe, Martinica, Saint-Martin e Saint-Barthélemy. Com a medida, as vendas foram interrompidas e todos os voos foram cancelados por tempo indeterminado.

Auditoria da DGAC e suspensão do Certificado de Transporte Aéreo (CTA)

O bloqueio das operações veio após uma auditoria realizada pela Direção-Geral da Aviação Civil (DGAC) entre 2 e 4 de dezembro. O órgão é responsável por fiscalizar se as companhias aéreas seguem rigorosamente as normas de segurança.

Segundo a própria Air Antilles, a avaliação identificou “uma série de verificações documentais e organizacionais que precisam ser concluídas em prazos curtos”, sem que isso colocasse em xeque “a segurança imediata dos voos”.

Na prática, a DGAC suspendeu o CTA da Air Antilles - a licença essencial que autoriza uma empresa a transportar passageiros ou carga mediante pagamento. O certificado está ligado não só a requisitos de segurança, mas também a critérios de organização operacional e capacidade de execução.

O presidente da coletividade territorial de Saint-Martin, Louis Mussington, mencionou a existência de “algumas anomalias nas medidas de segurança que deveriam ter sido adotadas previamente”.

Air Antilles: uma companhia no limite?

Do lado da empresa, a Air Antilles afirma estar adotando todas as providências para “acompanhar seus passageiros e oferecer as soluções alternativas previstas pela regulamentação”. Assim, os viajantes afetados devem ser realocados na Air Caraïbes, que opera rotas semelhantes na região, enquanto as equipas estariam “totalmente mobilizadas para normalizar a situação e permitir a retomada das operações o mais rápido possível”.

Para os passageiros, a recomendação prática é acompanhar os canais oficiais da companhia e das empresas parceiras, guardar comprovantes (bilhetes, e-mails e recibos) e verificar as opções disponíveis - como reacomodação em outro voo, reembolso e eventuais formas de assistência conforme as regras aplicáveis ao trajeto.

Crise interna, queixas e histórico recente de turbulências

O episódio tende a agravar um cenário já delicado. De acordo com o Air Journal, a intersindical vinha alertando, nos últimos meses, para uma “situação crítica”. O grupo lamenta uma governança descrita como “silenciosa” e “inexperiente”, além de apontar “cancelamentos de voos em cascata” e uma “queda na qualidade do serviço” - mesmo após a empresa ter enfrentado um período particularmente difícil em 2023.

Após a liquidação do grupo Caire em 2023, a Air Antilles só conseguiu seguir adiante com uma retomada parcial liderada pelo grupo Edeis e pela coletividade territorial de Saint-Martin. A operação teria preservado 120 empregos e colocado de volta em operação uma frota reduzida. Agora, com a suspensão do CTA, o futuro da companhia parece ainda mais incerto.

Além dos impactos diretos nos passageiros, a paralisação afeta a conectividade entre ilhas e pode pressionar preços e disponibilidade de assentos em rotas regionais, especialmente em períodos de maior procura, com efeitos também sobre turismo e viagens a trabalho.

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