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Ele dá a volta ao mundo a pé e, após 27 anos, está quase chegando ao destino.

Homem com mochila grande cheia de mapas e globos caminha na estrada perto de placa escrito Welcome Home.

A jornada extraordinária de Karl Bushby - iniciada em 1998 como uma volta ao mundo a pé, sem recorrer a qualquer veículo mecanizado - deve, enfim, chegar ao capítulo final em 2026. Depois de quase três décadas em movimento, o britânico admite que não é a linha de chegada que o assusta, e sim o que vem depois: voltar a viver “como todo mundo”.

Karl Bushby e a volta ao mundo a pé: a travessia de continentes rumo ao fim em 2026

Ex-militar britânico (paraquedista), Bushby partiu do sul do Chile e avançou, passo a passo, pela América do Sul e pela América Central até alcançar a América do Norte. Em uma das etapas mais marcantes, ele cruzou a pé o estreito de Bering, passagem que separa o Alasca da Rússia, um feito que ajudou a consolidar sua expedição como uma das mais incomuns do gênero.

Hoje, aos 56 anos, ele finalmente está na Europa. Antes disso, completou outra etapa extrema: atravessou o mar Cáspio a nado. Uma reportagem da Reuters, publicada no fim de novembro, indicava que ele se encontrava no noroeste da Hungria.

O que ainda falta para Karl Bushby terminar o tour do mundo

Apesar de estar perto do desfecho, ainda resta caminho para fechar o circuito. Bushby calcula que só deve retornar ao Reino Unido em setembro ou outubro de 2026, o que significa mais meses de caminhada - e uma decisão crucial ao final: como cruzar o Canal da Mancha.

Segundo a BBC, ele gostaria de fazer a travessia a pé, pelo túnel. Porém, se não conseguir as autorizações necessárias, ele considera entrar na água e nadar, mesmo reconhecendo que o Canal da Mancha tende a ser mais frio do que o mar Cáspio. Para ele, seria frustrante precisar recorrer a isso. Em declaração reproduzida pela BBC, ele comentou que até obstáculos geopolíticos pareceram menos rígidos ao longo do caminho: “Até os russos me deixaram passar [pelo país], apesar das tensões globais.”

Karl Bushby admite que teme voltar para casa e “reentrar” na sociedade

Depois de 27 anos vivendo com a lógica da estrada, o retorno ao lar virou o maior desafio emocional. Bushby contou à BBC que a adaptação pode ser dura e que já conversou com outros caminhantes de longa distância - alguns que estão na estrada há cinco anos ou mais - e ouviu deles que reintegrar-se à vida comum costuma ser muito difícil.

A preocupação não é apenas logística, mas também psicológica: trocar a rotina de movimento, autonomia e incerteza por horários, burocracias e expectativas sociais pode causar um choque. Em expedições tão longas, o corpo se acostuma a metas diárias simples (andar, comer, dormir), enquanto a mente aprende a lidar com solidão, risco e improviso. Voltar a “um mundo parado” exige reaprender a conviver com a previsibilidade - e com a falta dela em outras áreas, como trabalho e identidade.

Uma nova missão após a chegada: sala de aula e confiança no mundo

Para reduzir o impacto da volta, o aventureiro acredita que precisará encontrar rapidamente um novo objetivo, uma espécie de “próxima missão”. Ele se imagina em uma sala de aula, conversando com crianças para transmitir uma mensagem que diz ter confirmado ao longo do caminho: que “99,99% do mundo é bom” e que “o mundo não é tão assustador quanto você pode imaginar”.

Essa intenção também funciona como um fechamento simbólico da própria jornada: depois de atravessar fronteiras, superar barreiras naturais e negociar permissões ao longo de anos, Bushby quer transformar a experiência em algo útil para quem nunca saiu do lugar - mostrando que, apesar do noticiário e das tensões globais, a maior parte das pessoas que ele encontrou pelo caminho foi acolhedora e disposta a ajudar.

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