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145 aviões encomendados em 2 dias! Airbus supera a Boeing em um dos mercados mais estratégicos do mundo.

Dois homens em ternos apertam as mãos em negociação com aviões e bandeiras da China ao fundo no aeroporto.

A Airbus conseguiu um feito duplo - quase triplo - no mercado chinês. Em poucos dias, o fabricante europeu anunciou uma sequência de encomendas de grande porte em um dos maiores mercados de aviação do planeta, ampliando a pressão sobre a Boeing.

Na terça-feira, 30 de dezembro, a Air China, companhia aérea estatal e principal transportadora do país, confirmou a intenção de comprar 60 aeronaves A320neo. A encomenda é estimada em US$ 9,53 bilhões a preço de tabela, com entregas programadas entre 2028 e 2032. No comunicado, a empresa informou que obteve um desconto significativo e também facilidades de crédito, que permitem quitar parte do valor ou direcionar recursos para outros produtos e serviços da Airbus. Como é comum na China, o pedido ainda depende de aprovação de acionistas e de validações por autoridades governamentais.

No mesmo dia, a China Aircraft Leasing Group Holdings (CALC) - grande empresa de leasing de aeronaves sediada em Hong Kong e controlada pelo Estado chinês - anunciou a compra de 30 A320neo. Com essa adição, a CALC eleva para 282 unidades o total de aeronaves Airbus encomendadas, reforçando seu papel como um cliente de peso para o fabricante europeu.

Esses anúncios vieram logo após outros dois acordos firmados com companhias chinesas. Juneyao Air e Spring Airlines encomendaram, respectivamente, 25 e 30 A320neo, somando 55 aeronaves. O valor combinado dessas duas encomendas, também a preço de tabela, é estimado em US$ 8,2 bilhões, igualmente condicionado às aprovações regulatórias de praxe.

Airbus amplia a vantagem do A320neo na China diante da Boeing

Somando os pedidos divulgados nesse curto intervalo, a Airbus acumula 145 encomendas de A320neo na China. Trata-se de um resultado comercial expressivo no segmento de jatos de corredor único, justamente onde a disputa com a Boeing é mais direta e intensa.

Poucas semanas antes, o grupo europeu também havia confirmado um contrato relevante com a vietnamita VietJet para 100 aeronaves A321neo. A operação ganhou destaque porque a companhia demonstrou insatisfação com os atrasos da fabricante americana relacionados a uma encomenda de 200 Boeing 737 Max.

Esse cenário evidencia ainda mais a enorme aceitação da família A320, que segue como o avião comercial mais entregue do mundo. Ao mesmo tempo, os anúncios reforçam a tração da Airbus em mercados considerados estratégicos, em um momento em que sua principal concorrente ainda tenta retomar um ritmo semelhante de produção e entregas.

Além do volume em si, essas encomendas costumam estar associadas a estratégias de renovação e padronização de frota, buscando melhor eficiência operacional. A linha neo é valorizada, em especial, pelo menor consumo de combustível e pela redução de emissões por assento em comparação com gerações anteriores, fatores que pesam tanto nos custos quanto nas metas ambientais das companhias.

Outro ponto relevante é que pedidos dessa magnitude normalmente impulsionam serviços no entorno da aeronave - como treinamento, suporte técnico, peças e pacotes de manutenção -, o que ajuda a consolidar presença no país ao longo de décadas. Na prática, mesmo com a necessidade de aprovações internas e governamentais, a sequência de anúncios indica um ambiente comercial amplamente favorável para a Airbus no curto e no médio prazo.

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