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"Pode acontecer com qualquer um: este golpe no Blablacar pode sair muito caro."

Homem sentado em cafeteria com mala e celular na mão, aparência preocupada.

Se você vai reservar uma viagem na Blablacar nos próximos dias, vale redobrar a atenção.

Nos últimos anos, golpistas ficaram ainda mais criativos: as fraudes estão mais elaboradas, mais convincentes e, justamente por isso, continuam fazendo vítimas - mesmo entre pessoas que se consideram cuidadosas. Com as férias de inverno se aproximando, é um bom momento para ficar de olho em sinais de alerta e evitar cair em armadilhas.

Na Blablacar, um golpe recente ganhou força e já pegou muita gente. Para ajudar outras pessoas a não passarem pelo mesmo, Mai decidiu contar o que aconteceu com ela, o companheiro e o filho pequeno, numa tentativa de avisar o maior número possível de utilizadores da plataforma.

Viagem cancelada?

No verão, Mai, Hugo e Sacha precisam voltar com urgência para Paris saindo de Nice. Só que tudo dá errado ao mesmo tempo: os trens estão lotados e os aviões ficam no chão por conta de tempestades fortes. Para a família, sobra uma alternativa: a carona compartilhada (covoiturage).

Como é natural, eles recorrem à plataforma conhecida Blablacar. Só que a procura por Nice–Paris também está alta e a maioria das opções já aparece esgotada. Resta um único trajeto disponível, oferecido por uma motorista chamada Florence. Sem perder tempo, Mai reserva três lugares.

Em seguida, os pais entram em contato com a motorista para confirmar um detalhe importante: ela teria cadeirinha para a criança ou seria preciso comprar uma antes da partida? Florence sugere que a conversa continue pelo WhatsApp, “para facilitar”.

O golpe da Blablacar por WhatsApp: como a armadilha se fecha

Com a preocupação da cadeirinha, Mai e Hugo não percebem o risco de sair do ambiente da plataforma. Depois de comprarem a cadeirinha e com a viagem já quase na hora, Florence manda uma mensagem no WhatsApp perguntando por que eles teriam cancelado a viagem. Só que eles não cancelaram nada.

Quando Mai abre o aplicativo da Blablacar, vê que foi a própria Florence quem cancelou o trajeto. Após algumas mensagens, a motorista alega que foi um bug e diz ter falado com o atendimento ao cliente da plataforma - inclusive enviando capturas de tela como “prova”.

A situação piora porque, dentro da Blablacar, eles não conseguem refazer a reserva. E é aí que Florence parece ter “a solução”: envia um link que, segundo ela, teria sido repassado pelo suporte da Blablacar para reservar novamente a viagem “cancelada por engano”.

Mai clica sem pensar muito, acreditando que se trata de um endereço oficial. No site, ela preenche dados pessoais e informações bancárias. Mais tarde, ao rever o caso, ela percebe que havia um indício claro de fraude: o endereço terminava em “.cyou”, e não no domínio esperado da plataforma.

Em um vídeo no Instagram, ela explica que a página parecia realista demais: “o site era muito parecido, parecia mesmo a Blablacar”. Ainda assim, aquele detalhe do domínio poderia ter sido um aviso decisivo.

“Saldo insuficiente” e a retirada total do dinheiro

Dentro do site falso, aparece uma mensagem dizendo que o saldo de Mai seria insuficiente. Ela tenta novamente. Até que o site pede algo ainda mais sensível: o valor exato disponível na conta. Convencida de que está num ambiente legítimo, ela informa o número.

Pouco tempo depois, o pior acontece: todo o valor informado é debitado integralmente.

No relato, Mai reforça que jamais imaginou que pudesse ser vítima: ela usa o telemóvel o tempo todo, acompanha alertas e dicas de segurança e se considera bem informada. Mesmo assim, diante de um golpe bem montado - com conversa convincente, prints e pressão de tempo - ela acabou não percebendo o que estava acontecendo.

Como a Blablacar orienta a evitar fraudes

A própria Blablacar faz ações de prevenção para reduzir situações desse tipo. As recomendações mais importantes são:

  • Não clicar em links quando não houver certeza absoluta da origem.
  • Verificar a URL com atenção (domínio, final do endereço, letras estranhas).
  • Manter toda a comunicação e pagamento dentro da plataforma.

Segundo a plataforma, enquanto os membros não saem do ambiente oficial, eles ficam protegidos.

Medidas práticas para se proteger em viagens de carona compartilhada (covoiturage)

Além das orientações da Blablacar, algumas atitudes simples ajudam a reduzir muito o risco:

  • Desconfie de pedidos para “resolver por fora” (WhatsApp, link externo, página de pagamento alternativa), especialmente quando há urgência envolvida.
  • Se o trajeto for cancelado, confirme tudo diretamente no aplicativo e procure o suporte oficial pelos canais listados no próprio app/site.
  • Nunca informe “saldo disponível”, códigos, senhas, token ou qualquer dado que não seja estritamente necessário para uma reserva normal.

Se você suspeitar que caiu num golpe, vale agir rápido: contacte o seu banco para tentar bloquear transações, reúna provas (prints, URLs e conversas) e registre ocorrência nas autoridades competentes de crimes cibernéticos na sua região.

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