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Autolib’ acabou, mas Paris aposta no compartilhamento de carros. Valérie Pécresse acredita no sucesso desse modelo em 2027.

Carro elétrico branco moderno estacionado em showroom com a Torre Eiffel ao fundo, placa Paris 2027.

Morar em Paris ou na região metropolitana de Paris não significa, necessariamente, precisar de carro todos os dias. Ainda assim, em várias situações - uma viagem de fim de semana, uma mudança, uma consulta fora de mão, uma visita a familiares - ter um veículo à disposição por algumas horas ou por alguns dias pode fazer toda a diferença. Por isso, a ideia de compartilhamento de carros (autopartage) volta a ganhar força na capital francesa, agora com uma nova promessa: desta vez, o plano seria mais sólido do que o que deu errado no passado.

Durante a cerimónia de cumprimentos de início de ano da Autoridade Organizadora da Mobilidade (AOM), a presidente da Île-de-France Mobilités (IDFM), Valérie Pécresse, anunciou que pretende lançar um novo serviço de autopartage em toda a região da Île-de-France a partir de 2027.

Valérie Pécresse e o autopartage: a volta do carro compartilhado em Paris e na Île-de-France

A IDFM deve abrir, nos próximos meses, um processo de licitação para estruturar um serviço de veículos de autoatendimento voltado a locações de curta a média duração. A meta anunciada por Valérie Pécresse é ambiciosa: colocar 5.000 veículos à disposição dos moradores de Paris e dos demais municípios da região.

A frota, segundo a proposta, seria variada para atender perfis diferentes de uso: sedãs, carros urbanos, veículos utilitários, além de opções a gasolina, híbridas e elétricas - a ideia é oferecer um leque amplo para necessidades do dia a dia e também para demandas mais específicas.

5.000 veículos para aluguel em Paris em 2027

O objetivo político por trás do projeto é reduzir a dependência da compra de automóveis. Na apresentação, Valérie Pécresse defendeu que o serviço pode permitir que muitos parisienses “não precisem comprar um carro” e que famílias da região “não tenham de comprar dois, ou até três veículos”, para dar conta da mobilidade de ambos os cônjuges e dos filhos.

Na prática, o modelo escolhido será do tipo circuito fechado: o usuário retira o carro num ponto e precisa devolvê-lo no mesmo local. Como costuma ocorrer em sistemas desse tipo, os veículos devem ficar estacionados na via pública e liberados para uso conforme a disponibilidade. Por enquanto, ainda não foram divulgados os endereços das futuras estações. Mesmo assim, o cronograma já tem uma primeira referência: os primeiros 500 carros estão previstos para chegar em 2027.

Um plano grande, num mercado que já mudou

A proposta chama atenção pelo tamanho - e também pelo contexto. O último grande símbolo do autopartage em Paris foi o Autolib’, encerrado em 2018 após um fracasso amplamente reconhecido. Ainda assim, a região parece determinada a insistir na ideia, apostando que um novo desenho pode “virar o jogo” e melhorar a mobilidade e a rotina dos moradores da Île-de-France.

De lá para cá, porém, o mercado não ficou vazio. Outros serviços ocuparam espaço e consolidaram alternativas, como Citiz, GetAround e Free2move. Por isso, a pertinência de um sistema público/regional precisa ser avaliada à luz de fatores como: concorrência já estabelecida, possível falta de procura constante, existência de opções substitutas e a força do aluguel entre particulares. Se a região realmente pretende fazer esse novo autopartage funcionar, será essencial evitar repetir os erros atribuídos ao Autolib’.

O que pode decidir o sucesso do novo autopartage

Para além do número de carros, o que tende a definir a adesão é a experiência concreta: facilidade para localizar e desbloquear veículos, confiabilidade (carro disponível quando a pessoa precisa), transparência de preços e um nível consistente de limpeza e manutenção. Também pesa a disponibilidade de vagas dedicadas - sem isso, o utilizador pode perder tempo e desistir do serviço.

Outro ponto importante é a integração com a mobilidade existente. Um autopartage bem-sucedido costuma funcionar melhor como complemento de metrô, trem e ônibus - por exemplo, para resolver o “último quilômetro” ou trajetos pontuais em horários e regiões com oferta mais limitada. Se a IDFM conseguir articular o serviço com hubs de transporte e com uma lógica clara de cobertura territorial, aumenta a chance de o sistema fazer sentido no dia a dia.

Nem tudo indica derrota: outras cidades já provaram que dá certo

Apesar do histórico complicado em Paris, o compartilhamento de carros (autopartage) conseguiu se firmar em outras grandes cidades, como Marselha, Lyon e Rennes. Esse precedente mostra que, com operação estável e um modelo económico viável, o conceito pode, sim, conquistar espaço - inclusive num cenário urbano onde muita gente prefere não ter carro próprio, mas não abre mão de ter um “plano B” quando precisa.

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