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Veja por que os “netbooks” sumiram e podem voltar em 2026.

Jovem concentrado trabalhando em laptop em uma mesa de madeira com outra pessoa usando tablet e teclado.

Os netbooks, que dominaram o imaginário (e as vitrines) no fim dos anos 2000, podem estar a caminho de um retorno já no próximo ano. A seguir, entenda o que está por trás dessa possibilidade.

No auge, os netbooks eram um dos eletrónicos de consumo mais desejados no mundo. Na prática, tratava-se de notebooks bem pequenos, normalmente com ecrã de 10 polegadas - às vezes até menos. Eles não brilhavam em desempenho, mas compensavam com portabilidade extrema e preço acessível, combinação que ajudou o formato a ganhar escala rapidamente.

Para ter uma noção do tamanho do fenómeno, um texto publicado há 16 anos pelo The Guardian citava números da IDC: no 4.º trimestre de 2009, os netbooks teriam representado 20% do total de expedições de portáteis na região Europa, Médio Oriente e África.

Como o iPad acelerou a queda dos netbooks

Apesar do embalo, a categoria sofreu um choque em 2010 - e ele tem nome e sobrenome: iPad. Em 27 de janeiro de 2010, Steve Jobs apresentou oficialmente o produto como “um dispositivo revolucionário para navegar na Web, ler e enviar e-mails, ver fotos, assistir a vídeos, ouvir música, jogar, ler livros eletrónicos e muito mais”.

A proposta atingiu um ponto sensível do mercado: tal como os netbooks, o iPad podia funcionar como segundo dispositivo, privilegiando mobilidade e uso mais “leve”, com o diferencial de uma interface tátil. O impacto foi imediato: no primeiro dia de vendas nos Estados Unidos, a Apple afirmou ter comercializado mais de 300.000 unidades.

Com isso, as vendas de netbooks começaram a cair de forma gradual e, alguns anos depois, os principais fabricantes de PCs foram abandonando o formato aos poucos.

Netbooks em 2026? O “novo netbook” pode vir da Apple com um MacBook barato

Mesmo assim, há sinais de que o netbook talvez ainda não tenha dito a última palavra - e a ironia é que uma “ressurreição” pode vir justamente da Apple, empresa que ajudou a empurrar a categoria para baixo na década passada.

Há algum tempo circula o rumor de que a Apple poderia lançar, em 2026, uma versão mais acessível do MacBook, com o objetivo de enfrentar Chromebook e PCs económicos com Windows. A ideia seria competir onde preço e simplicidade contam mais do que especificações no limite.

Para reduzir custos, esse suposto MacBook seria equipado com um chip de iPhone, em vez de um chip tradicional da linha Mac. Além disso, tudo indica que o ecrã seria menor do que os do MacBook Air. Ainda não há medidas confirmadas, mas se a Apple realmente entregar uma máquina barata com ecrã de 11 polegadas ou menos, muita gente vai interpretar isso como um regresso dos netbooks - mesmo que o nome “netbook” não volte a aparecer nas caixas.

E, como costuma acontecer quando a Apple acerta um novo (ou antigo) formato, é razoável esperar que concorrentes lancem propostas semelhantes se o produto “pegar” e vender em grande volume.

O que reforça (e o que limita) essas previsões

Por enquanto, o cenário pede cautela: trata-se de informação não oficial. Ainda assim, vale notar o contexto em que os boatos ganham força. Em setembro, a Apple tornou obsoleto o seu último MacBook Air de 11 polegadas, modelo lançado em 2015. Ou seja, existe um vazio claro no catálogo para quem prefere um portátil realmente compacto.

Nesse quadro, um MacBook mais pequeno e acessível não serviria apenas para atrair pessoas a mudar de PC - incluindo antigos utilizadores de Windows 10, sistema que está a ser deixado para trás pela Microsoft - como também poderia ser uma alternativa natural para quem se apegou ao formato do MacBook Air de 11 polegadas.

Por que um “netbook moderno” pode fazer sentido hoje

Há ainda um fator prático que favorece o retorno de portáteis menores: muita coisa migrou para a nuvem e para aplicações leves. Rotinas como e-mail, edição de documentos, aulas online e consumo de conteúdo dependem menos de máquinas “parrudas” do que há 10 ou 15 anos - e isso combina com a proposta clássica dos netbooks: mobilidade + preço mais baixo.

Além disso, um portátil pequeno tende a gastar menos energia e pode ser mais conveniente para estudantes e quem trabalha em deslocamento. Se a Apple realmente usar um chip de iPhone num MacBook, o discurso de autonomia e eficiência pode tornar-se um trunfo central para reposicionar o conceito - não como um computador “fraco”, mas como um dispositivo focado em tarefas do dia a dia, com um formato que muita gente sente falta.

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