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Vai ficar mais barato comprar e ter um elétrico na Alemanha

Casal jovem carregando carro elétrico branco em estação de recarga urbana durante o dia.

Há dois anos, a Alemanha encerrou seus programas de incentivos à compra de veículos elétricos, e o efeito foi imediato: as vendas despencaram. Em 2024, o país emplacou apenas 380.609 carros 100% elétricos, uma queda de 27,4% em comparação com 2023 (fonte: KBA).

Em 2025, porém, o quadro começou a melhorar. Nos primeiros 10 meses do ano, foram vendidos 434.627 veículos elétricos - um avanço de 39,4% sobre o mesmo período do ano anterior (fonte: ACEA). Para sustentar esse ritmo e reforçar a indústria automotiva local, o Governo Federal decidiu combinar duas frentes: retomar os incentivos à compra previstos para o início do próximo ano e ampliar o prazo de um benefício fiscal que influencia diretamente o custo de ter um carro elétrico.

Pelo plano anunciado, a isenção do imposto automóvel (um tributo anual sobre o veículo, equivalente ao IPVA no Brasil) não só será mantida como também será estendida por mais tempo do que o previsto inicialmente. O objetivo declarado é dar previsibilidade ao mercado e tornar a transição para a eletromobilidade mais atraente para consumidores e empresas.

De acordo com a página oficial do Governo Federal, qualquer veículo 100% elétrico registrado pela primeira vez na Alemanha seguirá isento do imposto automóvel mesmo depois de 31 de dezembro de 2025, data em que o benefício deveria terminar. O novo projeto de lei prolonga essa isenção por mais cinco anos, até 31 de dezembro de 2030.

Ainda assim, há um detalhe importante no desenho do benefício: somente veículos emplacados até o fim de 2030 poderão entrar no programa. Mesmo assim, a duração máxima da isenção se estende até 31 de dezembro de 2035, permitindo que quem comprar dentro do prazo aproveite o benefício por um período mais longo.

Segundo o comunicado oficial, “o Governo Federal busca posicionar a Alemanha como um polo automotivo do futuro, proteger empregos e cumprir metas climáticas. Para isso, um componente essencial é a expansão da eletromobilidade. Para tornar a compra de veículos elétricos mais atrativa, o Gabinete Federal decidiu prolongar a isenção do imposto automóvel para além de 2025”.

Na prática, a extensão da isenção reduz o custo total de propriedade ao longo dos anos - algo especialmente relevante em um momento em que muitos consumidores comparam o preço inicial do elétrico com o de modelos a combustão. Ao diminuir despesas recorrentes, o governo tenta equilibrar a conta e acelerar a adoção sem depender apenas de subsídios diretos.

Outro ponto que tende a ganhar importância com a retomada do crescimento é a infraestrutura: quanto mais elétricos entram nas ruas, maior a pressão por mais pontos de recarga - especialmente em rodovias e em áreas urbanas com alta densidade e pouca garagem privada. Mesmo não sendo o foco principal das medidas anunciadas, a experiência de outros mercados mostra que incentivos à compra costumam funcionar melhor quando caminham junto com uma rede de recarga mais ampla e confiável.

Incentivos à compra de veículos elétricos na Alemanha

Além da isenção do imposto automóvel, o governo pretende lançar apoios direcionados a famílias de baixa e média renda a partir do próximo ano. O critério estabelecido é renda bruta anual de até 45 mil euros. Para esse público, está previsto um incentivo de 4.000 euros na compra de veículos elétricos com preço inferior a 45 mil euros - um recorte mais restritivo do que o programa anterior, encerrado em 2023, que valia para carros de até 65 mil euros.

Entre 2016 e 2023, o governo alemão destinou cerca de 10 bilhões de euros em incentivos à compra de veículos elétricos (fonte: Manager Magazin).

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