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Sonda Van Allen A cai sem controlo e reentra na atmosfera sobre o Pacífico

Pessoa observa trajeto de foguete no mar enquanto trabalha com radar em um barco ao pôr do sol.

Em Cabo Canaveral, na Flórida, uma antiga missão científica da NASA teve um desfecho esperado, mas difícil de cravar com precisão: a Sonda Van Allen A despencou da órbita sem controlo e voltou a entrar na atmosfera terrestre na quarta-feira, sobre o oceano Pacífico, segundo a Associated Press (AP).

A Força Espacial dos EUA informou que a reentrada ocorreu a oeste das Ilhas Galápagos, numa região oceânica distante de grandes áreas habitadas.

O que se sabia sobre a reentrada e o risco para pessoas

A NASA já considerava provável que parte da nave sobrevivesse à passagem atmosférica - mesmo com a maior parte do veículo a queimar-se e fragmentar-se devido ao atrito e às temperaturas extremas da reentrada. A sonda tinha massa de cerca de 600 kg.

De acordo com a agência, a probabilidade estimada de ferimentos em pessoas era de 1 em 4.200, um nível considerado baixo para este tipo de evento, mas ainda assim monitorizado por equipas de acompanhamento orbital.

Missão nos cinturões de radiação de Van Allen: Sonda Van Allen A e Sonda Van Allen B

Lançadas em 2012, as duas naves - Sonda Van Allen A e a sua gémea, a Sonda Van Allen B - foram concebidas para atravessar repetidamente os cinturões de radiação de Van Allen que envolvem a Terra. Durante sete anos, recolheram dados para compreender melhor a dinâmica dessas regiões e como elas variam com o clima espacial, antes de deixarem de operar.

Quando os satélites ficaram sem combustível em 2019, a NASA projetava que ambos continuariam em órbita até, aproximadamente, 2034.

Atividade solar intensa acelerou a queda da Sonda Van Allen A

A agência explicou que a atividade solar intensa observada nos últimos anos encurtou o tempo de permanência da Sonda Van Allen A no espaço, acelerando o seu fim. Com o aumento da influência do ambiente espacial sobre a órbita, a nave perdeu altitude mais depressa do que o previsto e acabou por reentrar antes do calendário originalmente estimado.

Já a Sonda Van Allen B continua a orbitar a Terra, embora já não esteja a funcionar. A previsão é que ela não volte a entrar na atmosfera antes de 2030.

Porque é tão difícil prever o momento exato

O cientista neerlandês Marco Langbroek observou que todas as reentradas são complexas de antecipar com grande exatidão, mas salientou que esta foi particularmente difícil por causa da órbita excêntrica e assimétrica da sonda, o que torna mais instáveis as estimativas de altura, arrasto e momento final de descida.

Além disso, em reentradas descontroladas, pequenas variações na densidade atmosférica (que muda com a atividade solar) e na orientação do objeto podem alterar significativamente o local e a hora de queda - por isso, os avisos e previsões são geralmente atualizados até muito perto do evento.

Legado científico e impactos práticos

A missão das Sondas Van Allen ajudou a melhorar a compreensão de como os cinturões de radiação de Van Allen se comportam e como podem afetar satélites e sistemas espaciais. Esse tipo de conhecimento tem aplicação direta no planeamento de novas missões, na proteção de equipamentos eletrónicos em órbita e na avaliação de riscos para astronautas em viagens além da órbita baixa da Terra.

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